O controle biológico é extremamente importante para a agricultura brasileira e é agente fundamental para a redução na aplicação de agrotóxicos no cultivo de alimentos no Brasil.  Porém, criar um modelo de controle biológico que seja adequado para o cultivo tem se considerado um grande desafio.

Nos dias de hoje, o agronegócio tem tido urgência em se reinventar para conseguir prover a demanda alimentar mundial e minimizar o impacto ambiental. Fazer o controle biológico de pragas é uma das soluções mais favoráveis a todas as partes envolvidas.

Nessa frente, a utilização de produtos à base de agentes biológicos para o controle de pragas e doenças na agricultura está cada vez mais forte e vem crescendo consideravelmente no país.

Mas afinal de contas, o que é controle biológico, como ele funciona, como é regulamentado?

O que é o controle biológico?

O controle biológico é nada mais que uma técnica utilizada para combater espécies que nos são nocivas, reduzindo os prejuízos causados por elas. 

Consiste basicamente em controlar as conhecidas “pragas” agrícolas e os insetos transmissores de doenças por meio do uso de seus inimigos naturais, que podem ser outros insetos benéficos, parasitóides,predadores e microrganismos, como bactérias, fungos e vírus.

Quando bem planejado, o controle biológico acarreta evidentes vantagens em relação ao uso de agentes químicos, uma vez que não polui o ambiente e não causa desequilíbrios ecológicos.

Assim auxilia para:

  • a melhoria da qualidade dos produtos agrícolas;
  • redução da poluição ambiental;
  • preservação dos recursos naturais;
  • e desse modo, para a sustentabilidade dos agroecossistemas.

Controle Biológico no Contexto Brasileiro

O Brasil é um dos maiores produtores agrícolas do mundo, de soja principalmente. Dessa forma, possui uma dependência crescente de insumos importados, especialmente agrotóxicos, se tornando assim líder mundial no consumo desses produtos, segundo dados da FAO (Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura).

Assim sendo, é muito claro o quanto é nocivo esse uso intensivo de agrotóxicos no combate das pragas, uma vez que muitas pessoas são impactadas em sua saúde. De acordo com um estudo feito pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), no total, 164 pessoas morreram após ter contato com a substância; e 157 ficaram incapacitadas para o trabalho, sem contar as intoxicações que evoluíram para doenças crônicas, como câncer e impotência sexual.

O consumo intensivo de agrotóxicos na agricultura causam diversos problemas, como:

  • contaminação dos alimentos, do solo, da água e dos animais;
  • intoxicação de agricultores;
  • resistência de pragas a princípios ativos;
  • desequilíbrio biológico, alterando a ciclagem de nutrientes e da matéria orgânica;
  • eliminação de organismos benéficos e a redução da biodiversidade.

Organismos utilizados

Há no ecossistema, organismos vivos que se alimentam de plantas e animais, evitando assim o aumento de outros tipos de espécies e fazendo o que já conhecemos como controle biológico de pragas.

Esses organismos são conhecidos como inimigos naturais.

Predadores

São os organismos que na natureza apresentam comportamento predatório em diferentes estágios de vida, necessitando consumir uma determinada quantidade de presas para se desenvolver até a fase adulta. Eles podem ser predadores com a própria espécie e normalmente precisam de mais de um ser vivo para completar seu ciclo de vida.

Exemplo: como exemplo de controle biológico feito por meio de predadores, temos a joaninha Cryptolaemus Montrouzieri, predadora de diversas espécies de cochonilhas e pulgões.

Controle Biológico - Joaninha

Parasitoides

Os parasitoides são organismos que precisam de um hospedeiro para completar seu ciclo de vida. São representados, principalmente, por insetos e podem parasitar diferentes fases de desenvolvimento da praga.

Exemplos: Famílias de Hymenoptera e Diptera incluem espécies parasitoides com padrões variáveis de especificidade de hospedeiro que mudam de acordo com o seu ciclo.

Trichogramma e Cotesia são os parasitoides mais utilizados em programas de controle biológico.

Controle Biológico - Lagarta parasitada por ovos

Patógenos

Nesse caso, as pragas são contaminadas com doenças através de vírus, fungos ou bactérias, causando assim a morte lenta desses seres vivos.

Exemplo: Controle biológico de Fusarium com utilização do fungo Trichoderma.

Controle Biológico - patógenos

Benefícios do Controle Biológico

O uso exacerbado de pesticidas e agrotóxicos nas plantações agrícolas começou a gerar contaminações e consequências sérias para as lavouras e para o homem. Daí surgiu a necessidade do controle biológico.

Os principais benefícios do controle biológico, em comparação ao controle químico, que podemos destacar são:

  • diminuição da exposição dos produtores rurais aos pesticidas;
  • redução do risco de poluição ambiental;
  • não afeta a qualidade do solo;
  • evita pragas mais resistentes;
  • evita alimentos contaminados;
  • evita o uso de agrotóxicos e fortalece o uso da crescente agricultura orgânica.

Tipos de controle biológico de pragas

O controle biológico de praga pode ser dividido em quatro tipos: artificial, natural, clássico e o aplicado.

Vamos entender cada um deles!

Controle Biológico Artificial ou Indutivo

É o controle que possui interferência do homem no qual é administrado uma grande população de inimigos naturais para controle rápido de pragas.

Controle biológico clássico

Esse tipo de controle consiste na aplicação de um inimigo natural (predadores ou parasitóides), que na maioria dos casos é importado de outro país. São aplicados de maneira pontual para controlar as pragas. O processo é de longo prazo.

Nesse tipo de controle há o risco de introduzir organismos indesejáveis, junto aos organismos benéficos.

Controle biológico natural

O controle natural é feito realmente de forma natural no qual as populações de inimigos naturais não são aplicadas para o combate da praga, mas sim, já existem no ecossistema natural no local natural, ocasionando em um equilíbrio na natureza.

Controle biológico aplicado

O controle aplicado é similar a um controle com pesticidas, onde é utilizado de forma pontual visando o controle da praga de forma mais imediata, uma vez que que possui uma ação mais rápida em comparação aos outros controles biológicos.

Esse tipo de controle necessita de um uso pontual e nas áreas específicas de pragas. Caso haja necessidade de maior precisão, é fundamental a utilização das novas tecnologias agrícolas.

Aproveite para ler também nosso artigo sobre a Nova lista de Pragas Quarentenárias publicada no D.O.U.

Regulamentação

É por meio da Lei número 7.802, de 11 de julho de 1989 – Agrotóxicos e afins, que os produtos de controle biológico são regulamentados.

No Brasil, o MAPA, a Anvisa e o Ibama são os órgãos federais que são responsáveis pela avaliação e registro de agrotóxicos e afins.

Todas as solicitações de registro precisam ser submetidas a cada um desses órgãos. Logo, os produtos devem ser registrados também nos estabelecimentos que produzem, comercializam, exportam ou importam.

As diversas avaliações dos agentes biológicos de controle são realizadas de modo diferente dos demais produtos inseridos nesta lei.

São solicitadas:

  • informações a respeito de parâmetros como caracterização biológica dos indivíduos;
  • efeitos na saúde humana e animal;
  • comportamento ambiental;
  • eficiência e praticabilidade;
  • controle de qualidade dos indivíduos produzidos em laboratório.

E o registro de um agente biológico não é concedido por cultura, sendo concedido por alvo biológico.

Atualmente existem mais de 100 marcas comerciais de produtos contendo agentes de controle biológico de fitopatógenos disponíveis aos agricultores.Uma observação em relação à lei atual, de número 7.802, de 1989 – Agrotóxicos, é que ela está em processo de mudança, então é fundamental ficar atento à possíveis alterações que possam interferir em relação às diretrizes que regem a regulamentação do controle biológico, sendo possível tema de questões e redação em concursos públicos.

Crescimento do Controle Biológico

O impacto do crescimento populacional ao meio ambiente gera conscientização da sociedade que cada vez mais, busca por alternativas que causem menor impacto ambiental.

Contudo, em um país com alto índice de insetos devido ao clima tropical, o desafio dos agricultores é reduzir a aplicação dos pesticidas, principal mecanismo de manejo de pragas do país nos dias atuais, para também reduzir o custo da produção e os riscos associados para a saúde humana e os recursos naturais.

Em 2018, foram aprovados no Ministério de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) cinquenta e dois produtos biológicos de controle que, somado aos outros, movimentou R$ 464,5 milhões, um crescimento de 77% em relação ao ano anterior. Reflexo de uma agricultura que sabe agregar novas tecnologias que continuam entregando aumento de produtividade e incorporando mais sustentabilidade.

Dessa forma, é imprescindível o estudo sobre o tema. Uma vez que esse assunto aparece em diversas provas de concursos públicos, pois além de ser uma das bases ecológicas do manejo integrado de pragas e doenças, ele também se relaciona com todas as áreas da agricultura. 

Fique atento às oportunidades de concursos para Agrônomos e não perca a chance de ser mais um aprovado.

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