Terraceamento: o que é? Quais são seus benefícios?

Você conhece a técnica agrícola de plantio empregada em terrenos inclinados? O terraceamento do solo — também conhecido como cultivo em terraços ou socalcos — permite seu cultivo e, ao mesmo tempo, combate erosões hídricas.

Conceito

Com o objetivo de proteger o solo de erosões hídricas — causadas pelo escoamento da água em áreas de vertentes — em terrenos íngremes/inclinados, o terraceamento é uma técnica de que consiste na divisão do terreno em rampas inclinadas, dispostas em forma de “degraus”. Isso permite o escoamento superficial das águas das chuvas, que, pouco a pouco, perdem sua força, causando menos impacto sobre o solo (removendo menos sedimentos).

Classificados conforme a capacidade de retenção ou não de água, existem ainda dois tipos de terraços: de armazenamento e de drenagem.

Os terraços de armazenamento —  ou terraços de infiltração ou nível — permitem, por meio da retenção das águas das chuvas, sua infiltração no solo. É o tipo mais recomendado em latossolos, solos arenosos e outros de maior permeabilidade.

Os terraços de drenagem — ou terraços de escoamento ou desnível — permitem o escoamento gradual das águas das chuvas para outras áreas. Tal deslocamento pode ser direcionado para reaproveitamento ou não em outras atividades.

Quais são os benefícios do terraceamento?

Além das vantagens citadas anteriormente, a água armazenada no solo através do terraceamento pode ser utilizada pelas plantas no período de seca, evitando assim prejuízos em lavouras em épocas de estiagem.

Também economiza-se com adubo, uma vez que a técnica permite a infiltração da água no solo, evitando seu escoamento pela lavoura, levando consigo adubo e matéria orgânica. Ou seja, a concentração de nutrientes no solo de terrenos cujo terraceamento foi aplicada é muito maior.

Além disso, por meio dos terraços de drenagem/escoamento/desnível, aumenta-se o aproveitamento da água, que pode ser armazenada ou retida e direcionada para outras atividades.

Terraceamento e curva de nível

Ao contrário do que costuma se pensar, terraceamento e curva de nível não são sinônimos.

Enquanto o terraceamento atua no combate à erosão do solo, disciplinando o volume de escoamento das águas das chuvas, a curva de nível costuma ser aplicada em terrenos já acidentados, onde o plantio acompanha os desníveis naturais do terreno, por meio de uma linha imaginária que une dois pontos de altitude igual.

Como aplicar a técnica de terraceamento?

Uma animação gráfica produzida pela Embrapa mostra, de forma didática, como próprio produtor rural, utilizando algumas ferramentas, pode terracear seu terreno em apenas 5 passos. Clique aqui para assistir ao vídeo. Confira abaixo os materiais necessários e o passo a passo para o preparo do terraço:

Materiais necessários

  • trena de 30m
  • piquetes de madeira
  • mangueira de pedreiro de 35m
  • trator de 75cc
  • arado de 3 discos

Passo a passo

  1. definição da textura do solo: consiste em definir a textura do solo (arenoso ou argiloso) a partir de 5 amostras retiradas na camada de 0 a 20 cm.
  2. definição da declividade: finca-se um piquete na parte mais alta do terreno e outro 30m abaixo. O cálculo da declividade é feito com base na distância da extremidade da água na mangueira até a superfície do solo nos dois piquetes, além da distância entre um piquete e outro.
  3. definição da distância entre os terraços: a distância entre os terraços é definida com base no valor da declividade, encontrado no passo anterior, e uma tabela de valores de referência para solo arenoso/argiloso.
  4. piqueteamento da curva em nível: de 30 em 30m, lado a lado, finca-se um piquete com base no nível da água da mangueira, até o fim do terreno. Para suavizar a curva, piquetes intermediários são fincados a cada 15m, sem que seja necessário o uso da mangueira.
  5. construção do terraço com trator e arado: o arado é regulado de modo que o terceiro disco corte mais profundamente o solo, e que o primeiro disco corte mais superficialmente. O terreno é cortado jogando a terra da parte de cima para a parte de baixo, até o final da curva em nível. Em seguida, o trator volta, cortando a terra, jogando-a de baixo para cima.

Ainda de acordo com a Embrapa, o passo a passo  é resultado do projeto ConservaSolo, liderado pelo pesquisador Lauro Rodrigues Nogueira Junior, da Embrapa Tabuleiros Costeiros, que visa estimular extensionistas rurais, multiplicadores e produtores rurais para as boas práticas agrícolas visando à conservação do solo. O projeto contempla também a reintrodução de áreas degradadas ao sistema produtivo, a conservação de áreas com espécies florestais, como mata ciliar e reserva legal além de pesquisas participativas e aplicadas.

Conclusão

Em grandes terrenos é necessária a realização de um estudo detalhado para escolher o melhor tipo de terraço a ser feito sobre o solo, já que a prática do terraceamento exige certo conhecimento técnico. Outras técnicas de proteção e manutenção da fertilidade do solo podem — e devem — ser utilizadas paralelamente, para reforçar o cuidado com o terreno.

Como o tema é abordado em concursos agrônomos? Questões para treinar:

(FAUEL – 2019 – Prefeitura de Mandaguari – PR – Engenheiro Agrônomo)

O terraceamento da lavoura é uma prática de combate à erosão fundamentada na construção de barreiras físicas a partir da mobilização de solo, com o propósito de disciplinar o volume de escoamento das águas das chuvas. Assinale a alternativa INCORRETA sobre terraceamento agrícola.

a) Na construção do terraço do tipo Nichols, o solo é cortado com arado, e não se deve usar gradearadora, e movimentado sempre de cima para baixo, de modo que a massa de solo que forma o camalhão é retirada da faixa imediatamente superior, o que resulta no canal.

b) Nos terraços do tipo Mangum a massa de solo é deslocada tanto da faixa imediatamente superior como da inferior ao camalhão, ora num sentido da aração, ora noutro, em passadas de ida e volta com o trator. Esses terraços podem ser construídos com terraceadores em terrenos de menor declividade.

c) Os espaços entre os terraços devem ser estabelecidos rigorosamente de acordo com a declividade da área, de forma a se evitar superou sub-dimensionamento dessas distâncias. As secções mínimas dos terraços devem ser estabelecidas conforme a velocidade de infiltração da água no solo, intensidade máxima provável de chuvas e volume de água a ser captado.

d) Os terraços de base estreita são recomendados apenas em condições em que não seja possível instalar terraços de base média ou larga. Normalmente, são recomendados para pequenas propriedades, com baixa intensidade de mecanização agrícola e devem ser construídos em terrenos com declividade abaixo de 12%.

(FUNIVERSA – 2016 – IF-AP – Engenheiro Agrônomo)

O terraceamento é uma das práticas mais eficientes para controlar a erosão nas terras cultivadas. O terraceamento, quando bem planejado e bem construído, reduz as perdas de solo e água pela erosão e previne a formação de sulcos e grotas, sendo mais eficiente quando em combinação com outras práticas, como o plantio em contorno, uso de cobertura morta em plantio direto e uso de culturas em faixas. Assinale a alternativa que apresenta os seis tipos de terraços existentes.

a) mangum; nichols; patamar; individual; camalhão; e de base estreita.

b) mangum; nichols; patamar; individual; de base larga; e de base estreita.

c) mangum; nichols; patamar; individual; de base larga; e de base invertida.

d) mangum; nichols; patamar; individual; camalhão; e de base invertida.

e) mangum; nichols; patamar; individual; canal; e de base.