A cultura do tomate 

 O tomate – Lycopersicon esculentum – é uma das hortaliças mais difundidas no mundo ocupando lugar de destaque na mesa dos consumidores, não só no Brasil, mas em todos os países. 

Apesar de ser popular na Itália, o tomateiro é uma planta de origem andina, que foi domesticada no México. Pertencente da família das Solanáceas, assim como o pimentão, a berinjela, a pimenta, entre outros, possui alto valor comercial, grande variabilidade de gêneros e ampla adaptabilidade em diferentes regiões. 

Esse grande número de espécies e variedades disponíveis no mercado, permite que o tomateiro tenha diferentes respostas à absorção de luz, CO2, temperatura, umidade, absorção da água e nutrientes, por esse motivo, consegue se desenvolver em diferentes climas. 

O tomate é uma das hortaliças mais cultivadas em ambiente protegido, dessa forma, é possível atender a demanda do produto em épocas menos favoráveis à sua produção. 

A cultura é bastante exigente em tratos culturais, a irrigação, por exemplo, influencia fortemente na produção e na qualidade dos frutos, tendo em vista que a planta é considerada sensível ao deficit hídrico.

As características do fruto, como coloração e firmeza, também são influenciadas pelos fatores ambientais.

O tomate é rico em licopeno – substância que confere cor avermelhada aos frutos – e as condições de temperatura muito baixas ou muito altas, tendem a reduzir a produção dessa substância, além de que, as condições de temperatura e umidade são grandes responsáveis pelo aparecimento das doenças na planta. 

Doença de planta

Doença de planta é considerada qualquer anormalidade, causada por agentes bióticos ou abióticos, que agem de maneira contínua alterando o metabolismo das plantas.

Durante todo o ciclo da cultura podem ocorrer doenças prejudiciais ao seu crescimento e desenvolvimento.

Os danos causados pelos patógenos (agentes causadores) podem destruir tecidos ou matar definitivamente a planta, afetando tanto a produtividade, quanto a qualidade do produto a ser colhido.  

Uma doença sempre ocorre na presença simultânea de uma planta suscetível, um agente causador e condições climáticas favoráveis à manifestação dos sintomas. 

Dependendo do agente causador, as doenças de planta podem ser transmissíveis ou não. As transmissíveis são causadas por fungos, bactérias, vírus e nematoides, os quais são chamados de fatores/agentes bióticos.

As doenças não transmissíveis normalmente são causadas por distúrbios fisiológicos da planta ou por fatores/agentes abióticos, como desbalanço nutricional, fitotoxidez de agrotóxicos e condições climáticas adversas ao desenvolvimento normal das plantas.

Doenças do Tomateiro

No caso do tomateiro, as doenças aparecem com maior ou menor frequência e/ou intensidade dependendo dos seguintes fatores:

  • Clima: luz, temperatura e umidade;
  • Modo de implementação e condução da cultura: escolha do método de plantio, transplante das mudas, ambiente protegido ou campo livre, produção orgânica, convencional ou hidropônica;
  • Localização da área de plantio: isolamento de áreas infestadas ou cultivadas com outras culturas da mesma família (Solanaceas);
  • Método de irrigação: gotejamento, sulco ou aspersão;
  • Tipo de solo: arenoso, argiloso, orgânico;
  • Características e escolha da cultivar: resistente, tolerante ou suscetível;
  • Estado nutricional da planta: balanceado, com falta ou excesso de nutrientes. 

Em áreas onde as hortaliças são cultivadas de maneira intensiva e sem os devidos cuidados, as doenças podem reduzir até 100% da produtividade. 

Portanto, para que as medidas de prevenção e de controle sejam adotadas é indispensável conhecer os agentes causadores das doenças e observar os fatores que influenciam seu surgimento

Para lhe ajudar na identificação, vamos listar abaixo as principais doenças presentes no tomateiro de acordo com o agente causal.

E se você é concurseiro, preste muita atenção! Doenças de plantas são frequentemente cobradas na matéria de Fitossanidade. Não se engane ao pensar que hortaliças são menos importantes. 

Doenças do tomateiro causadas por fungos

 Os fungos são os principais causadores de doenças em plantas e normalmente a ocorrência da doença está associada ao solo, a temperatura e ao excesso de umidade. 

Quando falamos em tomateiro, a Requeima e a Pinta-preta são as doenças consideradas mais importantes e agressivas para a cultura, causando enormes prejuízos que podem ser irreversíveis. 

Pinta-preta

A Pinta-preta é causada pelo fungo Alternaria solani, cujo meio de transmissão é através das sementes. 

A doença ocorre com frequência em locais de temperatura e umidade elevadas, portanto, é mais severa em verões chuvosos e em invernos de períodos quentes com alta umidade relativa do ar.

Os sintomas são observados em folhas mais velhas, cujas lesões são de coloração marrom-escura a preta, com bordos bem definidos podendo ser circulares, elípticos ou irregulares, delimitados ou não, por halo amarelado.

As lesões causadas por esse fungo são bem características e lembram um alvo de tiro. Ataques mais severos podem necrosar e provocar a secagem das folhas mais velhas. 

No caule as lesões são de coloração escura, alongadas, circulares e com anéis concêntricos bem visíveis.

Os frutos infectados também apresentam lesões escuras com a presença típica dos anéis concêntricos, que normalmente se formam na região do pedúnculo. 

Doença do tomateiro - fungo 4
Doença do tomateiro - fungo 3

Requeima

A Requeima ou Mela, causada pelo fungo Phytophthora infestans, é a mais temida pelos produtores de tomate.

Em condições de umidade elevada e temperatura na faixa dos 20ºC a doença é capaz de destruir lavouras de tomate em poucos dias. Dificilmente se tem a presença de Requeima em locais onde as temperaturas permanecem acima dos 30ºC, mas o fungo ainda permanece vivo e pode provocar danos quando as condições climáticas se tornarem favoráveis. 

Os sintomas da doença podem ser observados em toda área das plantas. Inicialmente se manifesta na metade superior, podendo causar morte do broto terminal.

Nas folhas é possível observar grandes manchas aquosas de tom escuro, que necrosam com o passar do tempo dando aparência de “queima”.

Já no caule, as lesões são escuras, quase pretas e quebradiças.

Os frutos apresentam deformações e manchas de cor marrom, porém continuam com consistência firme.

Doença do tomateiro - fungo 2

Murcha-de-fusário

A Murcha-de-fusário causada pelo fungo Fusarium fsp. lycopersici  é uma doença muito destrutiva, a qual é favorecida por temperaturas altas e solos ácidos e arenosos.

O sintoma mais comum é o amarelecimento das folhas mais velhas, principalmente quando a planta se encontra no início da frutificação.

As plantas infectadas precocemente têm crescimento retardado, o caule apresenta coloração marrom intensa na região dos vasos vasculares, podendo ser observado através do corte no sentido longitudinal.

Doença do tomateiro - fungo 1

Doenças do tomateiro causadas por bactérias

Esse grupo de patógenos pode provocar diversos sintomas como murcha, manchas, podridão, clorose, entre outros.

As bactérias disseminam-se facilmente pelo ar e pela água, sobrevivendo de uma estação para outra em restos de lavoura, sementes infectadas e plantas hospedeiras. 

Normalmente, as bactérias infectam as plantas através de ferimentos e de aberturas naturais como os estômatos. No tomateiro, há muito mais doenças causadas por fungos do que por bactérias. 

Murcha-bacteriana

A Murcha-bacteriana causada pela bactéria Ralstonia solanacearum é a principal doença e também a mais conhecida desse grupo. 

O controle da doença é muito difícil, devido à alta capacidade de sobrevivência da bactéria no solo.

Os sintomas da murcha ocorrem na parte superior da planta, principalmente na fase de frutificação.

A Murcha-bacteriana aparece quase sempre em reboleiras e em áreas baixas mais úmidas. No caule os sintomas são bem parecidos com a murcha causada por fusário, exibindo coloração amarronzada no interior. 

Além dos sintomas observados em outras partes da planta, para se ter a confirmação de que a murcha é causada pela bactéria e não pelo fungo, é possível fazer um teste rápido e simples.

Esse teste é chamado de teste do copo, onde um pedaço do caule é cortado e imerso em água dentro de um copo transparente. Após alguns minutos, verifica-se a ocorrência de exsudação de bactérias para a água, conforme demonstrado na figura abaixo.

Doença do tomateiro - bactéria 3
Doença do tomateiro - bactéria 2

Mancha-bacteriana 

A Mancha-bacteriana é outra doença comum encontrada nas plantações de tomate, principalmente quando cultivados em temperatura acima de 25ºC. O agente causador é a bactéria Xanthomonas spp.

Os sintomas se manifestam inicialmente em folhas mais velhas, em forma de manchas de cor marrom e formato irregular, mais concentradas nas bordas das folhas. 

É comum os sintomas iniciais serem confundidos com os sintomas da pinta-preta, por esse motivo, é recomendado uma análise laboratorial para o correto diagnóstico.

Doença do tomateiro - bactéria 1

Doenças do Tomateiro causadas por vírus

 A disseminação de doenças viróticas ocorre de forma muito especializada, a maioria delas é transmitida por insetos vetores como pulgão, mosca-branca, cigarrinha e tripes. 

Vira-cabeça-do-tomateiro

O Vira-cabeça-do-tomateiro é a doença mais disseminada entre a cultura, provocando grandes prejuízos econômicos. O vírus causador é conhecido como Tospovirus, cujo inseto transmissor é o Tripes.

Os sintomas da doença variam de acordo com a espécie do vírus, a idade da planta, as condições climáticas e a cultivar de tomate. Quando a planta é infectada logo no início do ciclo, têm seu crescimento paralisado e as perdas são quase que totais. 

É comum observar nas folhas uma coloração arroxeada ou bronzeada, com anéis concêntricos e severa deformação. Os frutos quando verdes apresentam lesões irregulares e secas, quando maduros as lesões são amareladas. 

Doença do tomateiro - vírus

Métodos de controle para as doenças do tomateiro

De maneira geral, o controle das doenças do tomateiro deve ser entendido com uma prática permanente. 

Diversos métodos de controle alternativos podem ser aplicados de forma integrada para controlar ou prevenir a ocorrência de doenças.

As principais medidas de controle são:

  • evitar o plantio em áreas muito úmidas, terrenos sombreados e pouco ventilados;
  • utilizar sementes sadias;
  • evitar o plantio em áreas que já foram cultivadas com outras solanaceas;
  • escolher o método ideal de irrigação;
  • eliminar plantas voluntárias e restos culturais da área;
  • eliminar plantas infestadas;
  • realizar a rotação de culturas;
  • equilibrar a adubação;
  • dar preferência à cultivares resistentes;
  • adquirir mudas sadias;
  • controlar os insetos vetores;
  • evitar injúrias ou ferimentos nas plantas durante o manejo;
  • realizar a desinfecção de maquinários e equipamentos, entre outras.

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Doença do tomateiro em Concursos Públicos:

1- GESTÃO CONCURSO – 2018 (EMATER-MG):

As bactérias que provocam doenças em plantas são denominadas bactérias fitopatogênicas, algumas muito importantes para hortaliças. Elas se disseminam rapidamente e são de difícil controle. Em condições favoráveis, a ocorrência de bacterioses pode inviabilizar a exploração econômica de algumas culturas por longos períodos, como ocorre em solos infestados com Ralstonia solanacearum, causadora da murchadeirado-tomateiro e da batateira. 

Associe corretamente as colunas, relacionando o gênero de bactérias causadoras de doenças em hortaliças ao tipo geral de sintoma que ela provoca e a principal cultura afetada. 

GÊNEROS SINTOMAS E CULTURAS AFETADAS 

(1) Clavibacter                               
(2) Curtobacterium                                       
(3) Erwinia                                    
(4) Pseudomonas
(5) Ralstonia 
(6) Xanthomonas 

( ) Murcha e cancro – tomate e pimentão 
( ) Murcha – feijão de vagem e ervilha
( ) Podridão mole – cenoura, repolho e hortaliças
( ) Mancha foliar, podridão mole – alho, cebola e cucurbitáceas 
( ) Murcha – Solanáceas 
( ) Mancha foliar – Solanáceas, brássicas, outras

A sequência correta dessa associação é: 
a) (1); (2); (3); (4); (5); (6).
b) (1); (2); (3); (6); (5); (4). 
c) (6); (4); (3); (2); (1); (5). 
d) (6); (5); (4); (3); (2); (1).

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2- QUADRIX – 2017 (TERRACAP)

A pinta-preta é uma das mais importantes doenças do tomateiro cultivado em campo aberto no Brasil. O agente causador se espalha por esporos conduzidos pelo vento e é transmitido pela semente.

Assinale a alternativa que apresenta o nome científico correto do fungo causador da pinta-preta.

(A) Rhizoctonia solani
(B) Alternaria solani
(C) Phytophthora infestans
(D) Septoria lycopersici
(E) Cladosporium fulvum

3 – COTEC – 2019 (PREFEITURA DE TURMALINA-MG)

De acordo com os sintomas descritos para uma doença do tomateiro, assinale a alternativa que corresponde às características: 

“É uma doença altamente destrutiva, pela rapidez na colonização de toda a parte aérea das plantas e na disseminação do patógeno na cultura. Tem ocorrência esporádica e está relacionada à persistência de baixa temperatura e alta umidade, principalmente no período chuvoso. A doença ataca toda a parte aérea da planta, mas, em geral, inicia-se pelos tecidos situados em sua metade superior. Nos folíolos, os primeiros sintomas surgem como manchas irregulares, de tecido encharcado verde-escuro, que podem aumentar rapidamente de tamanho e tomar grandes áreas dos folíolos. Nos frutos, em qualquer estádio, as lesões são do tipo podridão dura, de cor pardoescura, profundas e de superfície irregular. Os esporângios são formados durante período de alta umidade relativa e de temperaturas ótimas entre 18-22ºC. Em condições úmidas, podem germinar diretamente ou produzir zoósporos biflagelados sob frio”. 

A) Mancha bacteriana – Xanthomonas campestris pv. vesicatoria 
B) Requeima – Phytophthora infestans 
C) Mosaico comum – “Tomato mosaic virus”- ToMV. 
D) Vira-cabeça – Tospovirus.

GABARITO: 

1- A
2- B
3- B

Autoria da redatora do Ifope:
Karina Rosalen