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Bem estar no abate de bovinos: 3 dicas para garantir esse direito

Ifope | 9 outubro, 2018

A preocupação com o bem estar animal é crescente em todo o mundo. Os consumidores estão se conscientizando sobre o modo de produção da carne e como seus hábitos de consumo podem influenciar no comércio deste produto. Com isso, a exigência sobre os aspectos de bem estar animal no abate bovino tem crescido bastante dentro dos frigoríficos.

Essa questão é algo que te preocupa e que, às vezes, você deixa de lado ou tem dificuldade de colocar em prática? É bem possível que sim. E nos casos em que o manejo animal é feito de forma rudimentar ou desrespeitando o bem estar animal, as consequências negativas sobre qualidade da carne e o rendimento podem ser expressivas.

Você pode querer ler também: Carne PSE – o que é e como evitá-la

Mas essa questão não deve estar pautada apenas pelo aspecto de qualidade, mas também pelo dever ético e moral. O profissional que se dispõe a trabalhar com animais deve prezar, sempre em primeiro lugar, pela qualidade de vida e pelo bem estar animal.

Se o assunto é um desafio no estabelecimento onde você trabalha, siga na leitura pois iremos falar mais sobre os aspectos relacionados ao bem estar e vamos dar 3 dicas que podem garantir esse direito animal no abate de bovinos.

Legislação

O mercado consumidor, juntamente com os órgãos de proteção animal, há muito têm feito pressão para que os governos criem leis para defender os direitos dos animais. E com isso, os envolvidos na cadeia de produção da carne são obrigados a obedecer essas regras para se manter no mercado.

No Brasil, a legislação que normatiza o assunto é a Instrução Normativa 3 de 17 de janeiro de 2000, do Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (MAPA). Essa norma tem o objetivo de estabelecer, padronizar e modernizar os métodos humanitários de insensibilização dos animais de açougue para o abate, assim como o manejo destes nas instalações dos estabelecimentos aprovados para esta finalidade.

De aplicação obrigatória nos estabelecimentos que abatem os animais de açougue, a IN 3 dispõe sobre os requisitos que impactam sobre o bem estar animal quando estes se encontram nas instalações da empresa abatedora.

Além das normas oficiais para abate bovino, a Sociedade Mundial de Proteção Animal (WSPA) juntamente com o MAPA desenvolveu um Manual sobre abate humanitário de bovinos. Ele contém descrição de técnicas de manejo, fotos ilustrativas e explicações científicas sobre determinados temas. Por ser de excelente qualidade esse material pode ajudar muito o seu dia a dia dentro da indústria.

Agora que já falamos um pouco sobre os aspectos relativos ao bem estar animal no abate de bovinos, vamos passar para a parte mais aguardada: as dicas!!!!!

Dica 1: uso de bandeiras no manejo dos animais

Bem estar animal - bandeira no abate

O uso do conhecimento sobre o comportamento dos bovinos é algo que só traz benefícios para o manejo dos animais. Se os funcionários aprendem e aplicam esses conhecimentos de forma correta, o uso de choque pode ser extinto. O que é ótimo para o bem estar animal.

Com auxílio da percepção sensorial, os bovinos avaliam se o que ocorre a sua volta oferece algum perigo ou não. Visão, olfato e audição são os sentidos mais utilizados para isso.  

A formação das imagens para esses animais ocorre de maneira completa em uma faixa à frente dos seus olhos. Nos lados do corpo dos bovinos, há uma percepção de movimento e atrás deles existe uma área chamada de ponto cego, em que o animal não enxerga nada.

Além disso, os animais preservam uma área de segurança ao redor de si mesmos, dentro da qual se sentem protegidos. Caso um objeto ou uma pessoa entre nessa área, denominada zona de fuga, o bovino se sente ameaçado e tende a se locomover para afastar-se do objeto e restabelecer sua zona de segurança.

O conhecimento sobre a zona de fuga dos animais auxilia o manejador a fazer com que o animal se movimente. A estratégia é localizar-se em um dos lados do animal e entrar na sua zona de fuga para fazê-lo movimentar-se e, à medida que ele andar para frente, caminhar junto dele. Com essa simples técnica o animal vai para o local que você indicar sem necessidade do uso de choque.

E como a bandeira entra nessa história?

A bandeira é de enorme utilidade por funcionar como uma extensão do braço do funcionário. Dando a impressão para o bovino de que o manejador está mais perto do que realmente ele está. Isso facilita com que ele direcione os animais para o sentido que ele deseja e garante mais segurança para o manejador.

Um ponto importante é que a bandeira pode ser confeccionada de materiais baratos e sem necessidade de grandes investimentos. Sacos de ração e tecidos são algumas opções que podem ser empregadas para sua produção.

Dica 2: Treinamento de qualidade

Bem estar animal - treinamento Você pode estar pensando que treinamento de funcionários é algo básico. Mas já pensou na qualidade com que eles são realizados? É imprescindível que o treinamento seja planejado com foco nas pessoas a que esse tema se destina. Quanto a sua linguagem, os argumentos que são utilizados e também à frequência.

Para implantar o uso da bandeira, por exemplo, utilize desenhos, exemplo, vídeos. Isso ajuda muito o funcionário a visualizar a aplicabilidade de novas técnicas. Se necessário, acompanhe o manejo de um grupo de animais para fazer as orientações in loco. A prática é de muito valor para o aprendizado correto.

Dica 3: Monitoramento do Bem estar

O estabelecimento de abate deve ter implantadas planilhas de monitoramento do programa de bem estar animal. Caso não tenha, desenvolva uma. Caso exista, revise-a, veja o que pode ser melhorado para avaliar, de fato, o bem estar animal no abate bovino.

Alguns parâmetros que podem ser monitorados são:

  • Vocalizações: indicam que o animal está estressado, sentindo dor
  • Quantidade de escorregões ou quedas: caso seja alta, indica instalações irregulares ou manejo agressivo
  • Frequência do uso de bastão elétrico

A intenção é que você monitore esses critérios e faça orientações focais caso estejam ocorrendo erros. Caso as falhas sejam disseminadas, o indicado é que se faça um novo treinamento até que esteja tudo dentro de padrões aceitáveis.

Assista também a aula sobre Bem Estar e Abate Humanitário, que fala sobre Estresse e explica porque este é o principal indicador de bem-estar animal, dá a definição, os tipos de estresse animal e porque deve ser evitado.

Conclusão

Com essas simples dicas, a probabilidade de você melhorar o bem estar dos bovinos antes do abate aumentam muito. E quando isso acontecer conte para o IFOPE como foi essa experiência. Compartilhar conhecimento pode ajudar outras pessoas que estejam tendo dificuldade com esse assunto. Além disso, nós iremos adorar trocar ideias sobre processos de melhoria.

 

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