Você sabe o que é e qual a importância da biossegurança? 

Em setembro de 1987, aconteceu em Goiânia, capital de Goiás, um acidente com Césio-137. Esse foi o maior acidente radioativo do Brasil e do mundo ocorrido fora das usinas nucleares, e se tornou um exemplo clássico de despreparo em relação à biossegurança.

O manuseio indevido de um aparelho de radioterapia abandonado em uma clínica desativada – o Instituto Goiano de Radioterapia – atingiu direta e indiretamente centenas de pessoas, causando consequências graves à população goianiense. Com a violação do equipamento, vários fragmentos de Césio-137 foram espalhados no meio ambiente, provocando a contaminação de diversos lugares, inclusive onde o material foi manipulado.

A biossegurança é essencial para um trabalho seguro. Portanto, se você deseja entender melhor do que se trata, qual sua importância e quais as normas de biossegurança, este post é para você! Confira!

O que é biossegurança?

A biossegurança é um conjunto de medidas que busca reduzir os riscos inerentes a uma determinada atividade. Essa área de conhecimento é definida pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) como: “condição de segurança alcançada por um conjunto de ações destinadas a prevenir, controlar, reduzir ou eliminar riscos inerentes às atividades que possam comprometer a saúde humana, animal e o meio ambiente”.

Esses riscos não são apenas aqueles que afetam o profissional que desempenha uma função, mas também, aqueles que podem causar danos ao meio ambiente e à saúde das pessoas. Dessa forma, se tratando dos profissionais da saúde, a biossegurança tem a preocupação com as instalações laboratoriais, as boas práticas em laboratório, os agentes biológicos aos quais o trabalhador está exposto e, até mesmo, a qualificação da equipe de trabalho.

A biossegurança é indispensável, pois, nesses laboratórios, há uma frequente exposição a agentes patogênicos, além de riscos físicos e químicos. A questão fundamental, portanto, é garantir que qualquer procedimento científico seja seguro. 

Embora muitos profissionais vejam a biossegurança apenas como um conjunto de normas que têm o intuito de burocratizar o sistema como um todo, na realidade, são essas regras que garantem a saúde do profissional e do restante da população. Portanto, o não cumprimento das normas de biossegurança pode acarretar problemas como transmissão de doenças e, até mesmo, epidemias.

Exemplos da ausência de biossegurança

Como falamos acima, tivemos um caso emblemático no Brasil, que se tornou conhecido graças à ausência de boas práticas de biossegurança: o acidente com Césio-137, grave episódio de contaminação por radioatividade. Tudo aconteceu por conta de um aparelho de radioterapia abandonado por uma clínica desativada, que expôs a população à radiação.

No entanto, em diversos locais, como hospitais, por exemplo, não faltam exemplos da ausência de boas práticas no dia a dia, nos quais os profissionais, dependendo de sua carreira ou área, podem acabar se contaminando pela falta de proteção, como luvas e óculos, ou mesmo por práticas indevidas de esterilização ou de descarte inadequado de materiais.

Biossegurança e segurança do trabalho: qual a relação?

Todas as ações e medidas de segurança que buscam a proteção no dia a dia são atitudes de biossegurança, sendo assim, há diversas semelhanças entre a biossegurança e a segurança do trabalho. Isso ocorre porque alguns ofícios, como o de profissionais da saúde, estão diretamente ligados à práticas e ações que buscam proporcionar mais proteção, não apenas para os locais de trabalho, mas para a população como um todo.

Um dos exemplos mais conhecidos é o uso dos equipamentos de proteção individual (EPI), que devem estar em conformidade com as atividades e riscos de cada trabalhador. Como o nome já diz, eles são fundamentais para proteger individualmente cada usuário, bem como para a contenção dos mais diversos riscos existentes que possam ameaçar a segurança.

Quais as vantagens e importância da biossegurança?

Confira abaixo algumas das principais vantagens que caracterizam a importância da biossegurança:

  • Redução dos riscos à saúde dos trabalhadores: seguir as normas de biossegurança reduz os riscos relacionados à saúde dos trabalhadores. Essa atitude é simples e fundamental, uma vez que os tipos de materiais e reagentes que esses profissionais utilizam em seus ofícios podem causar danos;
  • Redução de acidentes em laboratórios: devido à ausência de biossegurança, os acidentes em laboratórios eram mais corriqueiros no passado. Sua redução se deu graças à adoção de normas de controle mais severas e eficientes. Atualmente, além da proteção do profissional em si, também há foco no controle geral, levando em conta riscos mais sérios, como de um vazamento, por exemplo;
  • Preservação do meio ambiente e da sociedade: adotar as normas de biossegurança resulta também em conseguir uma melhor preservação do meio ambiente, por meio da descontaminação ou da eliminação dos riscos de exposição. Dessa forma, o local se torna apto para o manuseio seguro, além de incentivar o descarte correto dos materiais utilizados, evitando a poluição de rios e solos;
  • Aumento da qualificação profissional dos envolvidos: as normas também induzem a aplicação contínua de treinamentos para os trabalhadores que são expostos a essas situações de risco. Desse modo, eles se tornam cada vez mais experientes e qualificados e atuam em melhor sintonia com a tecnologia existente, assegurando uma qualidade muito maior dos procedimentos realizados e gerando melhores resultados.

Dificuldades no gerenciamento da biossegurança

Mesmo com tantos cuidados, tecnologias, padrões e regulamentação, a maioria dos incidentes em laboratórios ocorre pelo comportamento inadequado dos profissionais. Um exemplo ainda muito comum é o acidente com materiais perfurocortantes, que geralmente ocorre durante o uso e descarte de agulhas e dispositivos parecidos.

Embora exista uma norma específica para a área da saúde, a NR 32 (Segurança e Saúde no Trabalho em Serviços de Saúde), diversos empregados que atuam na área ainda a desconhecem, estando mais suscetíveis a esses riscos.

Mudar essa cultura para uma visão preventiva é uma das grandes dificuldades. Por isso, a gestão e a área de segurança do trabalho precisam realizar acompanhamentos periódicos com os colaboradores para o uso correto dos equipamentos de proteção.

Quais os riscos e como fazer a prevenção ideal?

De acordo com a NR 32, existem os principais critérios para precaução que visam a proteção de profissionais da saúde em seu local de trabalho e outros atuantes em hospitais, clínicas, laboratórios e ambulatórios. Além disso, a norma define como atividades de risco aquelas que são capazes de causar dano, doença ou morte. Sendo assim, esse perigo basicamente se resume à transmissão de agentes infecciosos, especialmente os transmitidos por líquidos corporais e sangue, causando contaminação de pessoas e a disseminação de doenças.

Mas, mais do que isso, os riscos envolvidos nas atividades são muito complexos. Portanto, eles são classificados segundo dois critérios:

  • Ameaça ambiental: considera os agentes químicos, físicos e biológicos presentes nos serviços de saúde que podem causar danos ao meio ambiente;
  • Risco à saúde: considera a probabilidade de ocorrer algum efeito nocivo à saúde dos profissionais e pacientes, em virtude da exposição a certos agentes.

Tipos de riscos

Buscando uma melhor compreensão, os riscos foram mapeados segundo as seguintes categorias:

  • Riscos físicos: equipamentos que geram calor, frio, radiação, umidade, campos elétricos ou operam sob pressão, tais como autoclaves, raio-X, câmaras frias, centrífugas e outros;
  • Químicos: produtos químicos nas suas mais variadas formas físicas. Podemos destacar os ácidos, colas, pesticidas, medicamentos, formol, tintas, baterias e metais presentes em lâmpadas, por exemplo;
  • Biológicos: destacam-se os agentes biológicos, como micro-organismos geneticamente modificados ou não, toxinas e príons, parasitas e culturas de células;
  • Ergonômicos: comuns em diversas outras atividades profissionais. São eles o levantamento de peso, rotina intensa, jornada prolongada, esforço repetitivo, postura inadequada, estresse físico e psíquico, entre outros;
  • De acidentes: iluminação inapropriada, animais peçonhentos, equipamentos desprotegidos, espaço físico inapropriado, eletricidade, possibilidade de incêndio e outros.

Como a biossegurança é fiscalizada no Brasil e quais são as suas aplicações?

Como já dito, no Brasil, a regulação e a fiscalização da biossegurança são feitas pela Anvisa. Embora seu objetivo primário seja extinguir ou minimizar as chances de um colaborador contrair alguma doença, suas aplicações estendem-se à proteção do restante da população, pacientes e meio ambiente. 

Por essa razão, há uma série de condutas e boas práticas fundamentais à segurança de todos. Em um ambiente hospitalar, por exemplo, há desde as medidas mais simples (como o uso de jaleco e o hábito de lavar as mãos antes de qualquer atendimento) até às mais sofisticadas, como os sistemas de esterilização do ar, câmaras de desinfecção de EPIs, isolamento de laboratórios, entre outras.

De modo geral, as medidas de biossegurança envolvem dois pontos: os equipamentos de proteção individual (EPI) e os equipamentos de proteção coletiva (EPC). Dentre as suas aplicações, podemos destacar os seguintes exemplos:

EPI

  • Jalecos ou aventais, de manga longa e na altura dos joelhos, sempre fechados. Precisam ser lavados e descontaminados após o uso e nunca devem ser usados fora do ambiente de trabalho;
  • Luvas para profissionais, especialmente enfermeiros, que lidam com amostras biológicas e atendem pacientes com doenças contagiosas. Em laboratórios, para todos que manipulam, preparam reagentes e lavam material;
  • Máscaras para proteção contra substâncias químicas, evitando a inalação;
  • Óculos de proteção, protetor facial e sapatos fechados, para evitar respingos de material biológico sobre a pele;
  • Kevlar, um colete para a proteção de temperaturas muito altas ou baixíssimas.

EPC

  • Cabines de segurança: equipamentos que promovem a contenção física dos agentes infecciosos, para proteção dos profissionais;
  • Autoclave: realiza a esterilização de instrumentos por calor, tornando o uso novamente seguro;
  • Proteção de linha de vácuo: para evitar a contaminação do sistema de vácuo com fluidos derramados e aerossóis;
  • Lavagem dos olhos: para limpeza imediata de olhos e face;
  • Chuveiro de segurança: de fácil acesso, para limpar roupas e a pele do profissional em caso de derramamento de material biológico ou substância química;
  • Microincineradores de alça: alças de material plástico estéril em caixas de aço, para transporte seguro de materiais ou agentes.

As práticas de biossegurança também envolvem normas detalhadas para as instalações laboratoriais, o descarte de agentes químicos e biológicos, além do treinamento das equipes.

Normas de biossegurança no Brasil 

No Brasil, a regulamentação sobre os temas de biossegurança está presente na legislação como uma maneira de destacar a importância de manter a vida e promover mais segurança em qualquer tipo de atividade, além de direcionar competências e normatizações, como disposto na Lei de Biossegurança 11.105 de 24 de Março de 2015.

Essa lei trata sobre os riscos relativos às técnicas de manipulação de organismos que foram geneticamente modificados, como os alimentos transgênicos, assim como a segurança em diversos ambientes de trabalho como hospitais, indústrias, laboratórios, hemocentros, centros de pesquisa e universidades.

Nesse texto, você aprendeu um pouco mais sobre o que é biossegurança, qual a sua importância e quais normas contemplam esse assunto. Gostou da leitura? Então aproveite para ler um pouco mais sobre o Guia Definitivo Sobre o Conselho De Biossegurança e compartilhar em suas redes sociais.