Hora de estudar algumas particularidades da Doença de Newcastle, assunto recorrente em questões de concursos para veterinários.

O que precisamos saber sobre essa enfermidade para acertar na prova? Detalhes sobre o agente infeccioso, modo de transmissão, os principais sintomas, quais animais são reservatórios, como é realizado o diagnóstico e uma pincelada no controle e prevenção da doença (afinal iremos estudar as normativas do MAPA em outros textos).

Vamos começar? Concentração e Boa leitura!

A Doença de Newcastle

Também conhecida como pseudo-raiva aviária, desordem respiratório-nervosa e pneumoencefalite aviária, a Doença de Newcastle (DN) é uma enfermidade de caráter agudo, altamente infecciosa e patogênica e de quadro clínico moderado a severo.

É uma das mais importantes doenças virais das aves, devido ao seu impacto econômico na indústria avícola mundial, por esse motivo, sofre controle oficial pelo Programa Nacional de Sanidade Avícola (PNSA) instituído no âmbito da Secretaria de Defesa Agropecuária (SDA/MAPA).

Além das aves, o vírus pode infectar outras espécies como répteis e mamíferos, inclusive o ser humano (é uma zoonose). A DN é de distribuição cosmopolita e integra a lista de doenças de notificação obrigatória da OIE.

Etiologia da Doença de Newcastle

A DN é causada por um vírus RNA de fita simples, envelopado, do sorotipo Parainfluenzavirus aviário tipo 1 (APMV-1), da família Paramyxoviridae, sub-família Paramyxovirinae e gênero Avulavirus. Sim, algumas questões de provas já cobraram o conhecimento sobre a família e o gênero do vírus, portanto, atenção com os detalhes!

O APMV1 infecta aproximadamente 236 espécies de pássaros selvagens e ornamentais, além de espécies de aves domésticas (inclusive os pombos).

Segundo Pessanha Jr (2007), o vírus é inativado pelo pH ácido, assim como pela formalina e pelo fenol, sendo sensível também ao éter. Quando submetido à temperatura de 56ºC por 3 horas ou 60ºC por 30 minutos o vírus torna-se inativo, contudo é capaz de sobreviver por longos períodos em temperatura ambiente, especialmente quando nas fezes. Segundo a OIE, o período de incubação do vírus é de 21 dias.

Fonte de Infecção e Transmissão 

A transmissão do VDN é via horizontal, de modo direto pelo contato com secreções/aerossóis de aves infectadas, ou indireto através da alimentação, água, pessoas, veículos, animais e instrumentos/equipamentos contaminados. 

As aves silvestres são uma fonte importante do VDN, já demonstrado que elas podem auxiliar na disseminação de amostras que já estejam presentes em criações domésticas de determinada região.

A alta densidade em criatórios comerciais e a localização de plantéis em áreas de concentração de aves silvestres têm sido apontadas como responsáveis pelo aumento significativo da transmissão da Doença de Newcastle (Fernandes, 2006).

Sinais Clínicos e Lesões 

A sintomatologia apresentada pelas aves com a Doença de Newcastle é inespecífica e pode aparecer também em outras enfermidades infecciosas como, por exemplo, na bronquite infecciosa, na laringotraqueíte, na coriza ou na doença crônica respiratória. A manifestação clínica e a mortalidade variam segundo a patogenicidade da amostra do vírus que pode variar de muito alta (amostra velogênica), para intermediária (amostra mesogênica) a muito baixa (amostra lentogênica).

As lesões predominantes em galiformes domésticos são do tipo diftéricas, necróticas e hemorrágicas presentes no trato digestivo.

Os vírus provocam exsudação serosa a catarral e/ou hemorrágica na traquéia, com congestão e edema dos pulmões, além da aerossaculite.

Edemas subcutâneos podem estar presentes na cabeça, pálpebras, cristas e barbelas e no pescoço, porém não tão evidentes como pode ser observado em infecções com o vírus da influenza. A conjuntiva pode estar aumentada, hemorrágica e com edema a ponto de se projetar sobre as pálpebras.

Os sintomas nervosos podem envolver: asas caídas, incoordenação motora, opistótono, inapetência e paralisia completa. A morbidade e mortalidade dependem da virulência da cepa do vírus, do grau de imunidade da vacinação e das condições ambientais.

Diagnóstico da Doença de Newcastle

A sintomatologia da enfermidade não é patognomônica, dependendo de exames laboratoriais para diagnóstico definitivo. A técnica sorológica de eleição para diagnóstico da DN é a inibição da hemaglutinação (HI), que permite também o diagnóstico diferencial do vírus da Influenza Aviária. 

O vírus pode ser isolado a partir de fezes, material cloacal, secreções respiratórias, macerados do baço, cérebro ou pulmões, sendo para isso cultivado na membrana alantóide de ovos embrionados de 10 dias. Posteriormente ao cultivo é realizada a identificação pela técnica de HI. 

O diagnóstico oficial da DN está regulamentado pelo MAPA no e deve ser executado em laboratório credenciado.

Controle e Prevenção

O Programa Nacional de Sanidade Avícola prevê um conjunto de medidas e procedimentos operacionais que visam prevenir, controlar e limitar a exposição das aves de determinada produção a agentes causadores de doenças. Na implementação das Boas Práticas de Produção baseadas na biosseguridade, os produtores minimizam o risco de introdução e disseminação de doenças em suas granjas.

Na listagem abaixo trazemos os principais atos normativos do PNSA para a prevenção, controle e vigilância da doença de Newcastle, assunto corriqueiro em provas: 

Instrução Normativa SDA n° 17, de 7 de abril de 2006. Aprova o Plano Nacional de Prevenção da Influenza Aviária e de Controle e Prevenção da Doença de Newcastle em todo o território nacional. 
Instrução Normativa SDA n° 32, de 13 de maio de 2002. Aprova as normas técnicas de vigilância para a Doença de Newcastle e Influenza Aviária, e de controle e erradicação para Doença de Newcastle.
Instrução Normativa SDA n° 21, de 21 de outubro de 2014. Estabelece as normas técnicas de Certificação Sanitária da Compartimentação da Cadeia Produtiva Avícola das granjas de reprodução, de corte e incubatórios, de galinhas ou perus, para a infecção por Influenza Aviária e Doença de Newcastle. Alterada pela Instrução Normativa SDA n° 18, de 9 de junho de 2017.
Ofício Circular DSA n° 7, de 24 de janeiro de 2007. Estabelece os procedimentos permanentes de vigilância para influenza aviária e doença de Newcastle.
Instrução Normativa MAPA n° 56, de 4 de dezembro de 2007. Estabelece os procedimentos para registro, fiscalização e controle dos estabelecimentos avícolas de reprodução, comerciais e de ensino ou pesquisa.
Instrução Normativa SDA n° 10, de 11 de abril de 2013. Define o programa de gestão de risco diferenciado para estabelecimentos avícolas.

Confira também o texto: Concursos: tudo que você precisa saber sobre Micoplasmose Aviária

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Bons estudos e até a próxima. 

Autoria da redatora do Ifope:
Tereza Abujamra