As embalagens de alimentos podem ser definidas como um “sistema coordenado de preparação de produtos para transporte, distribuição, armazenamento e uso final”. Elas possuem como funções clássicas de proteger, conter, informar, conservar e vender o produto nele condicionado para o consumidor final. Outras funções relevantes são a conveniência que a embalagem pode proporcionar através do fracionamento de porções maiores para porções únicas/individuais, facilidade de abertura, refechamento, facilidade de descarte e simplicidade de uso.

De acordo com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), a embalagem alimentícia é “ o invólucro, recipiente ou qualquer forma de acondicionamento, removível ou não, destinada a cobrir, empacotar, envasar, proteger ou manter, especificamente ou não, matérias-primas, produtos semielaborados ou produtos acabados. Incluído dentro do conceito de embalagem se encontram as embalagens primárias, secundárias e terciárias”.

O recipiente é sempre o primeiro contato entre consumidor e produto e, por isso, precisa seguir uma série de legislações vigentes pela vigilância sanitária de acordo com o material da embalagem. Fique conosco e conheça mais sobre os tipos de embalagem! 

As funções de embalagens de alimentos

Toda e qualquer embalagem deve proteger, conservar, informar e servir. Entenda como cada função é executada.

Proteção

Todo alimento é, de alguma forma, transportado e distribuído de um ponto para outro. Durante esse percurso até chegar de encontro com o consumidor pode ocorrer manuseios, choques, vibrações e compressões que acabam por afetar o alimento. As embalagens devem, então, evitar a adulteração ou perda de integridade que podem ser percebidas por meio de evidências como lacres, bandas, tampas ou anéis rompidos.

Conservação

Uma embalagem deve controlar fatores externos à ela como oxigênio ou luz, servindo como barreira contra os micro-organismos presentes na atmosfera, impedindo o seu desenvolvimento no alimento. Dessa forma, se garante a qualidade e a segurança do produto, além de prolongar a sua vida útil e minimizar as perdas por deterioração com as embalagens de alimentos.

No caso de alimentos industrializados, a embalagem exerce um papel fundamental de conservação e, com os avanços de tecnologias, as embalagens têm se adaptado ainda mais para garantir essa função. Processamento térmico e acondicionamento asséptico são apenas algumas das novas funções. 

Com o acondicionamento asséptico, as embalagens são esterilizadas antes da entrada do alimento, que passou por um tratamento térmico, garantindo um produto estável durante a sua vida útil (prazo de validade). A embalagem deve ser adequada ao processo de esterilização, permitindo introduzir o rótulo e o fecho em condições assépticas, mantendo a integridade e hermeticidade do material e das soldas. Com esta tecnologia é possível garantir a estabilidade da cor, sabor, teor nutritivo de um produto, além de ser seguro por pelo menos seis meses sem conservantes e refrigeração.

Outra tecnologia é a embalagem em atmosfera modificada, em que consiste no acondicionamento em uma atmosfera gasosa com composição, por exemplo, de um gás inerte como nitrogênio. Nesse processo a embalagem deve possuir uma composição com permeabilidade seletiva e controlada de modo a garantir a atmosfera gasosa da embalagem.

Informação

Uma embalagem também deve servir para informar ao consumidor final sobre o produto que ele está levando para casa.

Para os distribuidores, a embalagem deve transmitir informações para a gestão de estoque, instruções de armazenamento e de manuseamento, preço e permite a identificação e rastreabilidade do produto.

Para os consumidores finais, o rótulo do alimento deve conter todas as informações obrigatórias pela ANVISA como lista de ingredientes, conteúdo líquido, identificação de origem, prazo de validade e instruções de preparo.

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Conveniência 

A embalagem para os alimentos pode contribuir na preparação rápida, simplicidade de tarefas, consumo direto na embalagem, consumo em diferentes lugares e momentos, refechamento, porcionamento em dose única, facilidade de aberturas e descarte, informação de fácil interpretação e personalização de consumo.

Embalagem porção individual
Figura 1: Embalagem porção individual

Segundo a ANVISA “nesta função podem ser incluídos aspectos menos técnicos e mais relacionados a marketing e a comunicação, já que a embalagem deve reter a atenção e seduzir o comprador no ponto de venda”.

Nos dias atuais, muitos consumidores têm buscado produtos que facilitem e agilizem os processos de preparo das refeições.  Através de pratos prontos de embalagens de lata de aço, flexíveis esterilizáveis (retort pouche), cartonadas ou bandejas de alumínio, além de vegetais pré-cozidos ou alimentos semipreparados, os produtores de alimentos vêm se adaptando as novas formas de consumo com o desenvolvimento de novas tecnologias de embalagens.

Figura 2: Embalagens de bandejas para pratos prontos
Figura 2: Embalagens de bandejas para pratos prontos

Além disso, a embalagem é um componente-chave para os fabricantes de alimentos e bebidas influenciarem o consumo pela conveniência e pela customização.

Sustentabilidade

A valorização por embalagens sustentáveis é evidenciada pela crescente procura por produto com embalagens recicladas e processamento de embalagens com classificação de baixo consumo energético.

As indústrias que promovem práticas sustentáveis em suas cadeias de produção concentram-se em três valores principais: desenvolvimento econômico, responsabilidade social e bem-estar social.

A etapa de transporte e descarte não podem ter consequências negativas para o ambiente e para a sociedade, assim a embalagem sustentável é baseada em energia renovável, benéfica, segura, saudável em todo seu ciclo de vida, utilização de boas práticas de fabricação e tecnologias limpas, além de sua produção se dar por materiais seguros do ponto de vista toxicológico em todo o seu ciclo de vida.

Tipos de embalagens

Conheça todos os materiais possíveis que uma embalagem pode fornecer:

Vidro

Um dos materiais mais antigos, o vidro é um material bastante comum.

O principal fato que faz o vidro ser uma escolha constante é sua durabilidade,  resistência, impermeabilidade, além de ser um material inerte e estéril, o que garante total esterilização da embalagem. Com isso, é possível manter os alimentos bem isolados do ar e outros elementos externos que poderiam oxidar ou danificar o produto para o consumo.

Além disso, o vidro é impermeável e se bem vedado, as embalagens com esse tipo de material podem apresentar uma grande capacidade de conservação, evitando que odores ou a própria umidade do ambiente afete a conservação do alimento.

Pensando em sustentabilidade, o vidro é totalmente reciclável e, em alguns casos, podem até mesmo ser devolvidos após o consumo. Essa prática é bastante comum entre fabricantes e distribuidores de bebidas.

Outra vantagem desse tipo de embalagem é a possibilidade de que o consumidor veja o conteúdo da embalagem e saiba exatamente o que está comprando, além de ser prático já que pode ser retampado caso não seja consumido na totalidade.

Figura 3: Geleia em embalagem de vidro.
Figura 3: geleia em embalagem de vidro.

Alumínio

As embalagens de alumínio são seguras para acondicionar os alimentos e bebidas, são bonitas, leves, resistentes, de uso rápido e prática, além de econômicas.

Devido às suas propriedades, esse composto é utilizado para embalar alimentos que precisam ser transportados por longas distâncias ou que ficam longos períodos em exposição nas prateleiras dos supermercados.

O alumínio é a opção mais indicada para embalar produtos perecíveis e que podem ser sensíveis à luz, como é o caso de algumas conservas. Além do mais, a sua ampla utilização vai desde as latinhas de refrigerante, sucos industrializados e outras bebidas, até os alimentos em conserva. O alumínio é durável, maleável, resistente à oxidação, é reciclável e tem a capacidade de manter os produtos mais frescos!

A reciclabilidade é um dos atributos mais importantes do alumínio, ele pode ser reciclado infinitas vezes sem que perca sua qualidade, contribuindo assim para o menor consumo de recursos naturais.

O exemplo mais comum de reciclagem de produto de alumínio é a lata de bebidas, cuja sucata é transformara novamente em lata após a coleta e o processo de refusão, sendo que cada tonelada reciclada poupa a extração de 5 toneladas de minério.

Figura 4: Embalagens de alumínio para alimentos e bebidas
Figura 4: Embalagens de alumínio para alimentos e bebidas

Apesar dos benefícios, por uma questão de saúde é recomendado que as latas que se encontram amassadas, arranhadas ou até mesmo furadas sejam descartadas para que não cheguem às prateleiras para venda. 

Aço

A lata de aço é uma embalagem saudável por dispensar a adição de conservantes e preservar os nutrientes dos alimentos, além de prática e versátil. É resistente contra a luz, oxigênio, contaminações e perigos microbiológicos.

Através do processo térmico de cozimento em autoclaves é possível obter alimentos seguros e naturais com essa embalagem.

É 100% reciclável e é degradável num período médio de 5 anos.

Isopor

O isopor (poliestireno expandido) é composto por 5% de plástico e 95% de ar.

Por ser leve, manter os alimentos com a sua temperatura inicial e poder ser complementado com gelo para manter a refrigeração sem estragar, essa embalagem é comumente utilizada para transportar os alimentos da indústria até os pontos de venda.

Contudo, ele não pode ser utilizado em micro-ondas, não é biodegradável e sua reciclagem não compensa financeiramente, por isso o encontramos em grande quantidade em aterros sanitários.

Plástico

Uma grande polêmica no mundo das embalagens é a utilização do popular plástico.

Embalagens plásticas são extremamente flexíveis, resistentes e versáteis, podendo ter a sua densidade alterada na fabricação para atender a exigências da empresa fabricante.

Os principais tipos de plásticos utilizados para embalagens de alimentos são:

  • PVC – Policloreto de Vinila: é um plástico rígido, transparente, resistente e mais versátil. Muito utilizado em embalagens de maionese e sucos;
  • PS – Poliestireno: é um plástico mais leve, brilhante e com capacidade de isolamento térmico. É muito utilizado em potes de sorvetes e doces;
  • PET – Polietileno tereftalato: possuem alta resistência mecânica e química, boas barreiras para gases e odores, barato, seguro, moderno, leves e são recicláveis. São muito utilizadas em embalagens de refrigerantes e sucos, por exemplo;
  • PEAD – Polietileno de alta densidade: é um plástico flexível, resistente e com boa estabilidade térmica e química, é comumente utilizado em tampas de garrafas e potes.

Apesar disso, alguns plásticos não são reciclados devido ao elevado custo do processo de reciclagem, assim muitos são descartados na natureza e levando milhares de anos para se decompor.

Papel Ondulado

Embalagens de papel ondulado possuem como vantagens serem resistentes à choques, variações de temperatura e compressão, além disso, são versáteis e possuem excelente grau de utilização.

Esse tipo de embalagem não é agressivo ao meio ambiente e não apresenta riscos à saúde humana ou ao meio ambiente. O papel ondulado é 100% biodegradável e sua taxa de reciclagem está em crescimento.

Multicamadas

As embalagens cartonadas que possui como principal fabricante a Tetra Pak, é composta por diversas camadas como papel (cartão), plástico (polietileno de baixa densidade) e alumínio, essa estrutura forma barreiras que impem a entrada de luz, água, ar, microorganismos e odores externos na embalagem além de preservar o sabor e os nutrientes do alimento.

Sem adição de conservadores e sem necessidade de refrigeração, essas embalagens são muito eficientes, seguras e muito utilizadas para envase de leites, sucos e produto derivados de leite.

A camada que é possível reciclar desse tipo de embalagem é a de papel, além de ser possível a utilização das camadas de plástico e de alumínio na indústria de plástico.

Figura 5: Embalagem multicamada Tetra Pak
Figura 5: Embalagem multicamada Tetra Pak

Legislações relativas à embalagem de alimentos

Antes de embalar algum alimento, é importante se atentar às legislações vigentes reguladas pela ANVISA. Conheça as principais normas que regulamentam os materiais em contato com os alimentos:

Lei n. 9.832, de 14 de setembro de 1999

Proíbe o uso industrial de embalagens metálicas soldadas com liga de chumbo e estanho para acondicionamento de gêneros alimentícios, exceto para produtos secos ou desidratados.

Resolução RDC n. 88, de 29 de junho de 2016

Aprova o regulamento técnico sobre “materiais, embalagens e equipamentos celulósicos destinados a entrar em contato com alimentos e dá outras providências.”

Portaria n. 987, de 8 de dezembro de 1998

Aprova o regulamento técnico para embalagens descartáveis de polietileno tereftalato – PET – multicamada destinadas ao acondicionamento de bebidas não alcoólicas carbonatadas.

Resolução RDC n. 20, de 22 de março de 2007

Aprova o regulamento técnico sobre “Disposições para Embalagens, Revestimentos, Utensílios, Tampas e Equipamentos Metálicos em Contato com Alimentos”

Resolução RDC n. 17, de 17 de março de 2008

Trata do regulamento técnico sobre “lista positiva de aditivos para materiais plásticos destinados à elaboração de embalagens e equipamentos em contato com alimentos”. 

Resolução RDC n. 51, de 26 de novembro de 2010

Aprova o regulamento técnico sobre “migração em materiais, embalagens e equipamentos plásticos destinados a entrar em contato com alimentos, disposições para embalagens, revestimentos, utensílios, tampas e equipamentos metálicos em contato com alimentos”.

Resolução RDC n. 52, de 26 de novembro de 2010

Aprova o regulamento técnico sobre “corantes em embalagens e equipamentos plásticos destinados a estar em contato com alimentos.”

Resolução n. 124, de 19 de junho de 2001

Aprova o regulamento técnico sobre “preparados formadores de películas a base de polímeros e/ou resinas destinados ao revestimento de alimentos”.

Resolução RDC n. 91, de 11 de maio de 2001

Aprova o regulamento técnico sobre “critérios gerais e classificação de materiais para embalagens e equipamentos em contato com alimentos”.

Resolução n. 105, de 19 de maio de 1999

Aprova os regulamentos técnicos sobre “disposições gerais para embalagens e equipamentos plásticos em contato com alimentos”.

Resolução RDC n. 56, de 16 de novembro de 2012

Aprova os regulamentos técnicos sobre “a lista positiva de monômeros, outras substâncias iniciadoras e polímeros autorizados para a elaboração de embalagens e equipamentos plásticos em contato com alimentos.”.

Resolução RDC n. 326, de 3 de dezembro de 2019

Estabelece a lista positiva de aditivos destinados à elaboração de materiais plásticos e revestimentos poliméricos em contato com alimentos e dá outras providências.

Embalagens com obrigatoriedade de registro

Além das resoluções citadas, há uma categoria de embalagem que possui a obrigatoriedade de registro sanitário. De acordo com a Resolução RDC nº 27, de 6 de agosto de 2010 e a Resolução RDC nº 240, de 26 de julho de 2018 as embalagens com novas tecnologias (recicladas) devem ser registradas perante à Anvisa.

Boas Práticas de Fabricação (BPF) em embalagens

As embalagens dos alimentos  e os utensílios que entram em  contato com os mesmos,  também devem seguir as Boas Práticas que, segundo a Portaria MS nº 1.428/1993, são normas de procedimentos para alcançar um determinado padrão de identidade e qualidade de um produto na área de alimentos. Assim, os fabricantes de embalagens também devem seguir essa norma.

Tendências e pesquisas sobre embalagens de alimentos

Há diversos estudos sobre as novas exigências dos consumidores, os quais cada vez mais prezam pela saudabilidade, praticidade, qualidade e sustentabilidade.

Dessa forma, novos tipos de embalagens que objetivam contribuir com a diminuição de perdas, maior sustentabilidade, qualidade nutricional dos alimentos e a acessibilidade estão sendo cada vez mais requeridas.

Conheça alguma dessas tendências.

Pequenas embalagens

Cada vez é mais comum encontrar embalagens com seu tamanho reduzido para porções de consumo único, devido ao número de pessoas solteiras ou que moram sozinhas e querem evitar o desperdício, além de serem práticas.

Essas embalagens podem ser apresentadas pela embalagem flexível, que tem a finalidade de substituir sachês, tubos e garrafas, visando atingir os mercados de catchup, maionese e molhos em geral.

Embalagem global

Esse novo tipo de embalagem é produzido para facilitar a identificação por diferentes países e culturas, pelo seu pouco volume de palavras e utilização de símbolos e figuras universais para fixar a imagem do produto em qualquer parte do mundo.

Alguns países estão adotando as embalagens globais para a linha de produtos cuja marca já é consagrada em vários continentes. 

Por exemplo: as embalagens de refrigerantes como a Coca-Cola que apresenta design global e unifica suas embalagens.

Figura 6: Embalagens refrigerantes da marca Coca-Cola fabricados na China.
Figura 6: embalagens de refrigerantes da marca Coca-Cola fabricados na China.

Embalagem ecológica

Com o crescimento da consciência ecológica mundialmente, tem sido estimulado a produção de embalagens recicláveis, refis e de embalagens que, ao serem descartadas, podem ser amassadas, reduzindo assim o espaço ocupado nos aterros sanitários 

Com o crescimento da consciência ecológica mundialmente e a proatividade de algumas empresas, tem sido estimulado a produção de embalagens recicláveis, refis e de embalagens que ao serem descartadas, podem ser amassadas, reduzindo assim o espaço ocupado nos aterros sanitários.

Exemplo: Embalagens produzidas com papel reciclado ou que possam ser reutilizadas como as ecobags de algodão.

Embalagem auto destrutível

É só uma questão de tempo para que a primeira embalagem auto destrutível seja produzida e desapareça como resultado de seus polímeros de programação temporária.

Os avanços que estão ocorrendo na engenharia de materiais terão um papel fundamental na consolidação desta tendência. 

Ainda não encontramos esse tipo de embalagem no mercado, esse tipo de embalagem está em fase de estudos para o seu desenvolvimento.

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