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18 principais doenças da soja que todo Agrônomo concurseiro precisa saber

Ifope | 2 outubro, 2018

Para que você agrônomo tenha uma formação para concursos ainda mais sólida, preparamos um texto com as informações mais importantes sobre as principais doenças da soja. Para tanto, vamos conhecer um pouco mais sobre essa planta e sua importância econômica:

Sobre a Soja

A soja (Glycine max) é uma planta herbácea, dicotiledônea, autógama (autofecundação natural); apresenta ciclo vegetativo (emergência da plântula –  abertura das primeiras flores) e reprodutivo (floração até o fim do ciclo da cultura); ciclo total oscilando entre 60 e 120 dias.

Do ponto de vista econômico, a soja é uma das principais commodities¹ do Brasil e é considerada a principal cultura de exportação do país. Esse grão representa um dos produtos mais importantes do agronegócio brasileiro. Segundo informações da Embrapa, na safra de 2017/2018, já foram cultivados aproximadamente 35,100 milhões de hectares com uma produção de 116,996 milhões de toneladas e o Brasil é o segundo maior produtor mundial.

O que é importante saber sobre as doenças da soja?

Há aproximadamente 40 doenças da soja que são causadas por fungos, bactérias, nematóides e vírus e que já foram identificadas no Brasil, mas aqui vamos nos ater àquelas que têm sido mais cobradas em concursos para Agrônomos².

E o que é importante saber sobre as doenças da soja para gabaritar nas provas?

Com base nas últimas provas para Agrônomos² é de suma importância que o concurseiro saiba o nome e a sigla da doença, o agente causador (nome comum e científico), os sintomas iniciais, as condições favoráveis (temperatura e umidade), disseminação e manejo.

Segue abaixo as principais doenças da soja que são cobradas em concursos. Ainda, ao final deste informativo, há uma tabela resumida contendo apenas o nome e o agente causador das demais doenças da soja.

DOENÇAS DA SOJA CAUSADAS POR FUNGO

Ferrugem Asiática ou Ferrugem da Soja

  • Agente causador: Phakospera pachyrhizi
  • Sintomas iniciais: pequenas lesões foliares de coloração castanha a marrom-escura. Além disso, causa rápido amarelecimento ou bronzeamento e queda prematura das folhas. Na face inferior da folha, há urédias, que produzem os esporos – uredósporos.
  • Condições favoráveis: chuvas bem distribuídas/longos períodos de molhamento e por temperatura variando de 18 °C a 26,5 °C.
  • Disseminação: a disseminação da ferrugem é feita principalmente pela dispersão dos uredósporos pelo vento e NÃO é transmitida via semente.
  • Manejo: respeitar o período de vazio sanitário³; utilizar cultivares de ciclo precoce e semeaduras no início da época recomendada (calendarização de semeadura4; monitorar a lavoura desde o início do desenvolvimento da cultura).

Cancro da haste da soja

  • Agente causador: por Diaporthe phaseolorum f. sp. meridionalis
  • Sintomas iniciais: Pequenos pontos negros que evoluem para manchas alongadas e que mudam da coloração negra para castanho-avermelhada. Plantas em fase adiantada de infecção apresentam folhas amareladas e com necrose entre as nervuras, conhecidas como folha carijó (Fiquem atentos! Esse termo já caiu em prova5).
  • Condições favoráveis: chuvas frequentes.
  • Disseminação: semente infectada, restos de cultura, chuva e vento.
  • Manejo: uso variedades resistentes, rotação da cultura, tratamento de sementes com fungicidas sistêmicos e adubação equilibrada.

Mofo branco

  • Agente causador: Sclerotnia sclerotiorum
  • Sintomas iniciais: manchas aquosas que evoluem para uma coloração castanho-clara, e posteriormente há a formação de micélio branco, que com o tempo transforma-se em massa negra e rígida, o escleródio, forma de resistência do fungo.
  • Condições favoráveis: altas umidades relativas do ar e temperaturas amenas.
  • Disseminação: pelo ar e através da semente.
  • Manejo: semente certificada livre do patógeno; utilizar a mistura de fungicidas (contato + sistêmico) contendo benzimidazóis, fazer rotação/sucessão de soja com espécies não hospedeiras (milho ou trigo); eliminar as plantas hospedeiras do fungo; aumentar o espaçamento entrelinhas para evitar o acamamento e facilitar a ventilação.

Mela ou Requeima da Soja

  • Agente causador: Rhizoctonia solani6
  • Sintomas iniciais: necrose foliar, lesões nas hastes e nos pecíolos.
  • Condições favoráveis: temperaturas médias de 28°C e a presença de água nas folhas por longos períodos, acima de 12 horas. Pancadas de chuva frequentes e calor úmido, mormaço, favorecem desenvolvimento da doença.
  • Disseminação: esse fungo vive no solo ou em detritos vegetais, ou ainda pode permanecer em hospedeiros alternativos. Pode ser disseminado pelo vento e pela água.
  • Manejo: tratamento de sementes, eliminar plantas daninhas, usar cultivares resistentes, evitar semeadura adensada/redução da população de plantas por área.

Antracnose

  • Agente causador: Colletotrichum truncatum
  • Sintomas iniciais: manchas castanho-escuras, presentes nas vagens, nas hastes e em outras partes da planta. Além disso, o fungo causa o apodrecimento e queda das vagens, a abertura das vagens imaturas e germinação dos grãos em formação (Atenção!! Questão de prova da Banca Cespe).
  • Condições favoráveis: alta população de plantas, associada ao molhamento foliar e temperatura entre 18 e 25ºC.
  • Disseminação: sementes infectadas, restos culturais, vento e chuva.
  • Manejo: rotação de culturas, maior espaçamento entre linhas de plantio, número adequado de plantas por hectare (250.000 a 300.000), tratamento de semente e manejo adequado do solo. Com relação ao controle químico, é recomendado o uso de fungicidas do grupo dos benzimidazóis isoladamente ou em mistura com triazóis. (Atenção!! Questão de prova da Banca Cespe).

Míldio

  • Agente causador: Peronospora manshurica
  • Sintomas iniciais: pontuações amareladas na parte superior das folhas. As infecções na vagem podem resultar em deterioração da semente ou infecção parcial.
  • Condições favoráveis: elevados períodos de molhamento foliar (12 horas) e temperaturas entre 20 e 22ºC.
  • Disseminação: a principal forma de disseminação do patógeno e fonte de inóculo inicial são as sementes infectadas e por esporos carregados pelo vento.
  • Manejo: rotação de culturas, destruição dos restos culturais, o uso de cultivares resistentes e o tratamento de sementes com fungicidas.

Mancha alvo ou Podridão da raiz

  • Agente causador: Corynespora cassiicola
  • Sintomas iniciais: nas folhas infectadas há pequenas lesões circulares, rodeadas por halos cloróticos de cor esverdeada que, à medida que evoluem, tornam-se pequenas pontuações de cor castanho-avermelhada, com halos amarelos. Através da infecção na vagem, o fungo atinge a semente e, desse modo, pode ser disseminado para outras áreas. Os sintomas também podem ser observados em ramos, sementes e raízes.
  • Condições favoráveis: altas populações de plantas, umidade relativa do ar de 80% ou superior, temperaturas do solo entre 15 a 18ºC; temperaturas de 20°C ou superiores podem retardar ou inibir a expressão da doença.
  • Disseminação: a partir do solo pela chuva ou pelo vento e através de sementes infectadas.
  • Manejo: uso de cultivares resistentes, sementes livres do patógeno, tratamento de sementes, rotação/ sucessão de culturas e aplicação de fungicidas na parte aérea.

Mancha parda

  • Agente causador: Septoria glycines
  • Sintomas iniciais: lesões pequenas na forma de pontuações ou manchas angulares de cor parda com halo amarelado.
  • Condições favoráveis: temperaturas na faixa de 18 a 25 °C e alta umidade relativa, períodos prolongados de molhamento foliar (irrigação, chuva ou orvalho).
  • Disseminação: fonte de inóculo são as sementes infectadas, e a disseminação se dá pelo vento e pela chuva.
  • Manejo: eliminação de restos culturais, rotação de cultura, adubação equilibrada e aplicação de fungicidas.

Mancha olho de rã ou Cercosporiose

  • Agente causador: Cercospora sojina
  • Sintomas iniciais: a planta infectada apresenta folhas, hastes, vagens e sementes com manchas circulares, com halo escuro e o centro marrom-claro.
  • Condições favoráveis: altas temperaturas e alta umidade.
  • Disseminação: o inóculo primário dessa patologia é a semente, mas restos culturais e o vento associado à chuva contribuem para a disseminação da doença.
  • Manejo: uso de cultivares resistentes e tratamento de sementes.

Oídio da soja

  • Agente causador: Microsphaera diffusa
  • Sintomas iniciais: massa de micélios e esporos na forma de fina camada de cor esbranquiçada e de aspecto cotonoso que se forma na superfície das folhas, dos ramos e das vagens.
  • Condições favoráveis: temperaturas entre 18 ºC e 24 °C. Atenção!! Temperaturas superiores a 30 °C, bem como precipitações intensas e frequentes podem constituir um fator inibidor para o desenvolvimento dessa doença.
  • Disseminação: pelo vento.
  • Manejo: variedades resistentes e evitar semeadura tardia.

Rizoctoniose, tombamento de plântulas, morte em reboleiras ou damping-off

  • Agente causador: Rhizoctonia solani
  • Sintomas iniciais: tombamento entre pré-emergência e 30-35 dias após a emergência.
  • Condições favoráveis: temperatura e umidade elevadas favorecem o tombamento até 35 dias após a emergência; períodos chuvosos e temperaturas amenas favorecem a morte em reboleiras.
  • Disseminação: o patógeno sobrevive em sementes, restos culturais, no solo em forma de escleródios, em hospedeiros alternativos e na rizosfera de plantas.
  • Manejo: uso de sementes sadias, rotação de culturas e tratamento de sementes com fungicidas.

DOENÇAS DA SOJA CAUSADAS POR VÍRUS

Necrose da haste da soja

  • Agente causador: Cowpea mild mottle vírus (CPMMV)
  • Sintomas iniciais: queima do broto e necrose das hastes. As folhas localizadas nos nós inferiores da planta apresentam aspecto de mosaico, com diferentes tonalidades de verde.
  • Disseminação: o vírus é transmitido pela mosca branca (Bemisia tabaci)
  • Manejo: cultivares tolerantes.

Mosaico comum da soja

  • Agente causador: Soybean Mosaic Virus – SMV
  • Sintomas iniciais: folhas trifolioladas encarquilhadas e com mosaico distribuído irregularmente sobre o limbo foliar.
  • Condições favoráveis: alta umidade e altas temperaturas são as condições que favorecem o estabelecimento e a ocorrência desse patógeno.
  • Disseminação: essa doença é disseminada por sementes infectadas e por pulgões a partir de plantas hospedeiras.
  • Manejo: cultivares tolerantes.

DOENÇAS DA SOJA CAUSADAS POR NEMATÓIDES

Nematoides das galhas

  • Agente causador: Meloidogyne incognita e M. javanica
  • Sintomas iniciais: plantas ficam pequenas e amareladas, manchas em reboleiras.
  • Condições favoráveis: o ciclo de vida é muito influenciado pela temperatura, a 25 °C, o ciclo se completa em três a quatro semanas.
  • Disseminação: a disseminação dos nematóides se dá pela movimentação do solo, vento e água da chuva.
  • Manejo: rotação de cultura e plantio de cultivares resistentes.

Nematoide de cisto da soja (NCS)

  • Agente causador: Heterodera glycines
  • Sintomas iniciais: os sintomas aparecem em reboleiras e são evidenciados por clorose, diminuição na quantidade de vagens e, em alguns casos, redução do porte da planta.
  • Condições favoráveis: solo úmido e com temperaturas de 20 °C a 30 °C.
  • Disseminação: a disseminação do NCS se dá, principalmente, pelo transporte de solo infestado que pode ocorrer através dos equipamentos agrícolas, das sementes que contenham partículas de solo, pelo vento e pela água.
  • Manejo: medidas de controle incluem rotação/sucessão de culturas com plantas não hospedeiras, uso de cultivares resistentes e o manejo adequado do solo.

DOENÇAS DA SOJA CAUSADAS POR BACTÉRIAS

Mancha bacteriana marrom

  • Agente causador: Curtobacterium flaccumfaciens pv. flaccumfaciens
  • Sintomas iniciais: pequenas lesões cloróticas, que aumentam e podem tomar toda a folha. Essas lesões começam de forma oval ou alongada na margem das folhas e progridem para o centro.
  • Condições favoráveis: a infecção é favorecida por temperaturas entre 25 ºC e 30 ºC.
  • Disseminação: a bactéria pode ser transmitida via semente e por ferimentos causados pelo atrito entre folhas.
  • Manejo: uso de sementes certificadas, rotação de culturas com espécies não hospedeiras e uso de cultivares resistentes.

Fogo Selvagem

  • Agente causador: Pseudomonas syringae pv. tabaci
  • Sintomas iniciais: lesões necróticas com halo amarelado presentes nas folhas.
  • Condições favoráveis: alta umidade e temperatura entre 24 ºC a 28 ºC.
  • Disseminação: essa bactéria pode ser transmitida via semente, através de restos de cultura que servem como fonte de inóculo.
  • Manejo: usar sementes sadias e optar por cultivares resistentes.

Crestamento bacteriano

  • Agente causador: Pseudomonas savastanoi pv. glycinea
  • Sintomas iniciais: os sintomas podem ser observados nas folhas que começam como pequenas lesões de aspecto encharcado, circundadas por um halo amarelado e que podem se tornar necróticas.
  • Condições favoráveis: alta umidade e temperatura amena, de 20 ºC a 26 ºC.
  • Disseminação: essa patologia é disseminada a partir de restos culturais, de sementes infectadas e pela chuva.
  • Manejo: uso de cultivares com resistência e sementes sadias, rotação de culturas e evitar práticas culturais quando o ambiente da cultura estiver com alta umidade.

 

Diante do que acabamos de ver sobre doenças da soja, para você arrasar nos concursos então, é importantíssimo saber o agente causador, os sintomas, as condições favoráveis, a disseminação e o manejo dessas doenças. Uma questão importante, para que esse conteúdo fixe ainda mais: lembre-se de que ler não é estudar! Faça cronograma de estudo e planeje revisões do material estudado.  

Fique atento as oportunidades de concursos para Agrônomos e não perca a chance pela qual está esperando. Confira a lista com os melhores CONCURSOS PARA AGRÔNOMOS previstos e autorizados!  

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¹ Originada do termo commodity em inglês e que significa mercadoria. Commodities são produtos básicos, bens comerciáveis, homogêneos e de amplo consumo, que podem ser produzidos e negociados por uma ampla gama de empresas. Podem ser produtos agropecuários, como boi gordo, soja, café e minerais.

² Concursos: Companhia de Desenvolvimento de Roraima (2018), Prefeitura Municipal de Santa Terezinha do Progresso/SC (2018), Prefeitura Municipal de Bituruna/PR (2017), Prefeitura Municipal de Fernão/SP (2017), Prefeitura Municipal de Riversul/SP (2017), Universidade Federal do Sul da Bahia/BA (2017), Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Amapá (2016),Prefeitura Municipal de Cambará/PR (2016), Prefeitura Municipal de Campo Magro/PR (2016), Prefeitura Municipal de Marechal Cândido Rondon/PR (2016), Sema/MA (2016), Prefeitura Municipal de Uberlândia/MG (2015)

³ O vazio sanitário da soja é o período sem a cultura e sem plantas voluntárias no campo. Foi estabelecido para reduzir a sobrevivência do fungo causador da ferrugem-asiática durante a entressafra e assim atrasar a ocorrência da doença na safra. No Brasil, onze estados e o Distrito Federal adotaram essa medida que foi estabelecida por meio de normativas/portarias/resoluções específicas para cada estado abaixo listados.

4 Calendarização de semeadura da soja é a determinação de data-limite para semear a soja na safra. E a até o momento, é uma medida estabelecida por normativas estaduais de sete estados produtores de soja: Bahia, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Paraná, Santa Catarina, Tocantins, Bahia e Mato Grosso do Sul.

5Fiquem atentos!! Esse termo “folha carijó” já apareceu em uma prova da Banca Cespe para o cargo de Analista de desenvolvimento e fiscalização agropecuária – especialidade: Engenheiro agrônomo.

6Atenção! São doenças diferentes causadas pelo mesmo fungo. Fiquem atentos! Há um Manual de identificação de doenças da soja publicado pela Embrapa com esse conteúdo.

 

Referências:

KIMATI, H.; AMORIM, L.; REZENDE, J.A.M.; BERGAMIN FILHO, A. & CAMARGO, L.E.A. ed. Manual de Fitopatologia. Volume 2. Doenças das Plantas Cultivadas. 3ª Edição. Editora Agronômica Ceres Ltda. São Paulo. 2005. 666p.

HENNING, A.A., ALMEIDA, A.M.R., GODOY, C.V., SEIXAS, C.D.S., YORINORI, J.T., COSTAMILAN, L.M. E FERREIRA, L.P.. Manual de identificação de doenças de soja 5.ed. Londrina: Embrapa Soja, 2014. 76 p.