Dizem que é impossível agradar a todos, mas se tem uma coisa que chega próximo de conseguir essa proeza é o café. Desde aquele matinal para saborear um pão com manteiga até o cafezinho no meio do expediente para renovar as energias, essa bebida faz parte do dia a dia de muitas pessoas e é amiga fiel do concurseiro, portanto vamos conhecer um pouco mais sobre a cultura.
A origem do café
A planta de café é originária do continente africano, proveniente de regiões com temperatura média em torno dos 26ºC, raramente ultrapassando o limite superior de 30ºC e inferior de 5ºC, e com elevado volume de chuva, cerca de 2000 milímetros anuais.
Espécies de café
Existem duas espécies de café, ambas de origem africana mas de locais diferentes.
Arábica
O café Arábica (Coffea arabica) tem seu centro de origem nas florestas tropicais da Etiópia em regiões com altitude superior a 1600 metros.
Canéfora
O outro tipo de café é denominado Canéfora (Coffea canephora) que é originário das florestas equatoriais da bacia do rio Congo, em altitudes inferiores a 1200 metros.
O café Canéfora é subdivido em dois grupos, o “Conilon” e o “Robusta”.
A partir das características dos centros de origem do café podemos extrair informações preciosas sobre as características climáticas favoráveis para o cultivo da planta.
Ambas espécies são originárias de florestas, ou seja, são adaptados a ambientes sombreados, apesar de no Brasil ser predominante o cultivo a pleno sol.
Outro fator interessante é a altitude, pois dependendo da espécie, pode ser cultivado em diversas regiões, desde que as temperaturas médias girem em torno de 25ºC, sem estresse hídrico e livre de temperaturas elevadas (acima de 30ºC) ou muito baixas (menores que 5ºC), o que prejudica sua produtividade.
São essas características que ajudam também a explicar a distribuição dos maiores produtores de café do Brasil, como por exemplo o estado de Minas Gerais, que concentra sozinho mais de 50% das plantações nacionais de café. Somado ao fato do Brasil ser o maior produtor e exportador de café do mundo, mostra a importância dessa planta para o respectivo estado.
Dentre as duas espécies citadas anteriormente, sem dúvida a de maior importância é o café Arábica, correspondendo por cerca de 87% de todo café produzido no Brasil.
Embora a planta de café Arábica necessite de uma atenção maior do produtor no campo e de ser menos produtiva que o café Conilon, o arábica é:
- mais aromático;
- suave e ácido;
- com teor de cafeína menor (cerca de 1,2%);
- e usado para o preparo de bebidas finas.
Em contrapartida, o café Conilon é uma planta mais rústica e produtiva, mas seu sabor é mais amargo e sua utilização é principalmente em blends, ou seja, misturas de grãos Conilon e Arábica, e para produção de café solúvel.
Implantação do cafezal
Por se tratar de um cultivo perene, é necessário muito cuidado e planejamento na implantação do cafezal, pois qualquer tomada de decisão errada irá afetar a produtividade.
Além de respeitar as características climáticas já mencionadas, é importante escolher um solo com profundidade efetiva mínima de 120 centímetros para proporcionar um adequado desenvolvimento radicular e que a topografia do terreno favoreça a mecanização do cultivo, para tal não pode ser muito declivosa.
O espaçamento entre plantas deve ser entre 50 cm e 70 cm para cultivares de porte baixo e para as cultivares de porte alto, recomenda-se espaçamento maior que 70 cm. O espaçamento entre as fileiras irá depender se a lavoura será mecanizada ou não e no caso afirmativo, qual o tamanho do maquinário utilizado, mas geralmente varia entre 2,5 a 4,0 metros.
As mudas a serem plantadas para formação do cafezal devem ser oriundas de um viveiro certificado e terem de 3 a 6 pares de folhas definitivas.
Para realizar o transplante com segurança devem ser submetidas a um período de aclimatação de no mínimo 30 dias.
Para a maioria das regiões, a época ideal para plantio é entre Outubro e Dezembro.
Para realizar a adubação, recomenda-se consultar um engenheiro agrônomo que, de posse da análise físico-química do solo, poderá tomar a melhor decisão.
Tratos culturais
Para manter o cafezal bem cuidado visando alta produtividade e qualidade, devem ser tomados certos cuidados constantes. Um deles é a desbrota dos ramos ladrões, que deve ser feita o mais cedo possível, visando manter a arquitetura (formato) ideal da planta.
Deformações na planta podem ocorrer devido:
- ao stress hídrico;
- à desfolha por pragas e doenças;
- e quando a gema apical da planta é cortada por formigas.
Todos esses fatores podem ocasionar uma brotação desordenada, denominada “envassouramento”. Por isso se faz necessária a desbrota.
Outros manejos que devem ser efetuados no cafezal é a limpeza do mato nas entrelinhas da cultura e o controle de pragas e doenças.
Doenças do café
Uma doença que deve ser motivo de atenção em lavoura recém instaladas é a Cercosporiose (Mycosphaerella coffeicola) a qual pode ter grande potencial de desfolha se não for devidamente tratada.
Durante a condução da cultura, também é necessário estar atento a ocorrência da Ferrugem do Cafeeiro (Hemileia vastatrix) que também tem potencial para gerar grandes perdas de produtividade também devido a desfolha.
Pragas do café
Dentre as pragas, destaca-se o bicho mineiro (Leucoptera coffeella), que em sua fase larvar abre galerias nas folhas causando dano direto e abrindo porta para entrada de fungos e bacterérias, dessa forma causando dano indireto.
Outra praga importante dessa cultura é a broca do café (Hypothenemus hampei). Trata-se de um besouro cuja larva fura o fruto do café e se alimenta de tecidos da semente, o que também ocasiona uma vulnerabilidade ao ataque de fungos e bactérias devido á lesão.
Legislação
No âmbito legal, temos várias normas que envolvem diretamente ou indiretamente a cultura do café, sendo o maior foco das regras legais a etapa pós-colheita.
Uma das mais importantes e que o agrônomo concurseiro deve ter familiaridade é a Instrução Normativa nº 8, de 11 de junho de 2003, do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, que aprova o Regulamento Técnico de Identidade e de Qualidade para a Classificação do Café Beneficiado Grão Cru e traz importantes definições e conceitos acerca do café, como, por exemplo, definindo o que é grão ardido (grão ou pedaço de grão que apresenta a coloração marrom, em diversos tons, devido à ação de processos fermentativos).
Essa mesma Instrução Normativa informa a divisão em duas categorias de acordo com a espécie:
I) Categoria I: café proveniente da espécie Coffea arábica
II) Categoria II: café proveniente da espécie Coffea canephora
(Parece que já vimos isso antes, não é mesmo?)
Enfim, essa a IN nº 8/2003 é muito importante para quem trabalha com a cultura do café ou que vai precisar fazer uma prova que seja requisitado conhecimento sobre este grão, portanto, recomenda-se uma leitura atenta deste dispositivo.
Conclusão
Após todas essas etapas o grão é colhido, manualmente ou de forma mecanizada, e beneficiado para então chegar as prateleiras do mercado na forma mais comum aos olhos dos consumidores.
É sempre importante lembrar que os produtores fazem tudo isso colaborando com a natureza, protegendo as florestas e nascentes e controlando a erosão, visando manter a sustentabilidade da produção.
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Referências
FIOROTT, A. S.; STURM, G. M. Café canéfora: em busca de qualidade e reconhecimento. In: MARCOLAN, A. L.; ESPINDULA, M. C. (Ed.). Café na Amazônia. Brasília, DF: Embrapa, 2015. p. 425 – 431. Capítulo 19.
ZAMBOLIM, L. O Estado da Arte de Tecnologias na Produção de Café. Viçosa, UFV, Departamento de Fitopatologia, 2002. 568 p.
http://www.agricultura.gov.br/assuntos/politica-agricola/cafe/cafeicultura-brasileira
Foto 2: https://www.agrolink.com.br/problemas/ferrugem-do-cafeeiro_1532.html
Foto 3: https://www.agrolink.com.br/problemas/broca-do-cafe_30.html
Autoria do redator do Ifope:
Victor Gregório Rodrigues Nadal
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