Recentemente vimos na mídia a comunicação de um caso atípico de “vaca louca” no Mato Grosso em uma vaca de 17 anos. Porém foi um caso que não alterou a categoria de risco para EEB do Brasil, continuando de risco insignificante.

Para saber mais sobre EEB, as características de um caso atípico e as normativas adotadas no Brasil, leia o texto abaixo – essencial para quem almeja um cargo público na área.

Definição e agente etiológico da EEB

A Encefalopatia Espongiforme Bovina (EEB) é uma zoonose e faz parte do grupo complexo de doenças neurodegenerativas que acometem gravemente o Sistema Nervoso Central (SNC): as Encefalopatias Espongiformes Transmissíveis (EETs).

A EEB acomete os ruminantes domésticos (bovinos, ovinos, caprinos e bubalinos), é degenerativa, fatal, transmissível e com longo período de incubação (média de 5 anos).

Popularmente é chamada de “doença da vaca louca”.

O agente etiológico é denominado príon ou PrP (Prion Protein) – uma proteína anormal, infecciosa, encontrada no tecido nervoso dos animais infectados. 

Esse agente infeccioso, o príon, ainda é motivo de controvérsia científica, sendo a teoria mais aceita de que o príon (PrP) deriva de um processo de transformação de uma proteína normal da membrana celular sensível à protease (PrPc), proteína essa, predominante no sistema nervoso central. A proteína anormal se replica e acumula nas células do sistema nervoso central, causando a EEB.  

O príon é resistente à esterilização convencional (radiação ultravioleta e substâncias químicas) e ao calor seco (1 hora a 360°C).

Vias de transmissão da EEB

A principal via de transmissão do príon é através da ingestão de alimentos contendo farinhas de carne e ossos provenientes de carcaças infectadas.

Nesse contexto, é importante ressaltar a proibição de alimentar ruminantes com produtos de origem animal e da utilização de cama de aviário e dejetos suínos (visto que aves e suínos se alimentam de ração contendo proteína de origem animal e os restos de rações e partículas não digeridas nas fezes desses animais podem veicular o agente da EEB).

Essa forma de transmissão – através da alimentação – corresponde ao caso típico da doença, que costuma acometer animais entre 2 e 7 anos de idade. 

Já no caso atípico de EEB, o animal contrai a doença espontaneamente, com o passar da idade, sem estar relacionada à ingestão de alimentos contaminados pelo príon.

O Brasil já registrou ao menos dois casos de atípicos de vaca louca, que não apresentam risco de transmissão da doença.

A transmissão do príon através do sêmen, óvulos e leite, assim como a transmissão horizontal (de uma animal a outro) de acordo com as pesquisas científicas atuais, é improvável.

Sinais clínicos da EEB

Os animais afetados pela EEB apresentam sintomatologia clínica de sinais nervosos, caracterizadas por:

  • alterações do estado mental como nervosismo;
  • hipersensibilidade (ao toque, som e luz);
  • incoordenação dos membros posteriores durante a marcha;
  • dificuldades de locomoção e incapacidade de se levantar.

Nos estágios terminais o animal pode apresentar-se em decúbito permanente. Há também a queda da produção de leite e diminuição do peso, porém com apetite normal.

Diagnóstico da EEB

Atualmente não há testes específicos para detecção da EEB no animal vivo.

As técnicas atuais direcionam-se à avaliação das características morfológicas do tecido encefálico e da detecção da forma anormal do príon. 

Nos laboratórios credenciados pelo MAPA, as técnicas laboratoriais de rotina para o diagnóstico das EET são o exame histológico seguido da técnica de imunohistoquímica.

Desde 1976, o diagnóstico da EEB passou a ser realizado conjuntamente ao sistema de vigilância sanitária da raiva animal, fazendo parte do Plano Nacional de Combate da Raiva dos Herbívoros (PNCRH), coordenado pelo MAPA.

Desta forma, todo laboratório que realiza diagnóstico de raiva, deverá encaminhar, obrigatoriamente, amostras de material encefálico de animais investigados que tiverem idade superior a 24 meses, para bovinos, e 12 meses, para ovinos e caprinos, que resultaram em negativo para a raiva, a um dos laboratórios credenciados pelo MAPA para a realização de diagnóstico das EET.

Estas normas visam incrementar medidas de vigilância epidemiológica específicas para manter e preservar a condição de país livre da EEB.

Cadeia epidemiológica da EEB e medidas de controle

Na figura abaixo, é possível acompanhar as principais medidas de controle da EEB em cada ponto crítico que propicia a transmissão da doença (fonte da figura: MAPA, 2015).

EEB - Cadeia epidemiológica e medidas de controle

Legislação em vigência para EET/EEB

A partir da publicação da Portaria N° 516, de 9 de dezembro de 1997 do MAPA, ocorreu a incorporação da EEB, da paraplexia enzoótica dos ovinos (scrapie) e outras doenças com sintomatologia nervosa de caráter progressivo, no sistema de vigilância da raiva dos herbívoros domésticos.

No quadro abaixo estão as principais normativas vigentes sobre o assunto.

NormaResumo
INSTRUÇÃO NORMATIVA nº 18, de 15 DE FEVEREIRO DE 2002Aprova as Normas a serem adotadas, visando incrementar a vigilância epidemiológica para detecção de Encefalopatias Espongiformes Transmissíveis – EET – em ruminantes
INSTRUÇÃO NORMATIVA MAPA Nº 5, DE 1º DE ABRIL DE 2002Aprova as normas técnicas para controle da raiva dos herbívoros e atualiza a inclusão da Encefalopatia Espongiforme Bovina – EEB, da scrapie e de outras doenças de caráter progressivo no sistema de vigilância da raiva dos herbívoros
INSTRUÇÃO NORMATIVA Nº 18, DE 15 DE DEZEMBRO DE 2003Proíbe o abate de bovino e bubalino importados de país onde houve ocorrência de caso autóctone da EEB ou de país considerado de risco para esta doença
INSTRUÇÃO NORMATIVA Nº 8, DE 25 DE MARÇO DE 2004Proibição em todo o território nacional da utilização de subprodutos de origem animal na alimentação de ruminantes
INSTRUÇÃO NORMATIVA Nº 49, DE 15 DE SETEMBRO DE 2008Estabelece as seguintes categorias de risco para a Encefalopatia Espongiforme Bovina – EEB:
INSTRUÇÃO NORMATIVA Nº 41, DE 08 DE OUTUBRO DE 2009Aprova os procedimentos a serem adotados na fiscalização de alimentos de ruminantes em estabelecimentos de criação e na destinação dos ruminantes que tiveram acesso a alimentos compostos por subprodutos de origem animal proibidos na sua alimentação.
INSTRUÇÃO NORMATIVA Nº 44, DE 17 DE SETEMBRO DE 2013Institui o Programa Nacional de Prevenção e Vigilância de Encefalopatia Espongiforme Bovina.
INSTRUÇÃO NORMATIVA Nº 13, DE 14 DE MAIO DE 2014Estabelece as normas para identificação, monitoramento e controle da movimentação de bovinos importados de países considerados de risco para encefalopatia espongiforme bovina (EEB) e aprovar os formulários constantes dos Anexos desta Instrução Normativa.

Leia também: Defesa Sanitária Animal – 7 Dicas para Concurso Público

Como o conteúdo de EEB é cobrado nas provas de concursos?

Nada como testar os conhecimentos resolvendo algumas questões de concursos não é? Bons estudos!

1 – (INSTITUTO AOCP – 2019 – PC-ES – Perito Oficial Criminal Médico Veterinário)

De acordo com o Sistema Brasileiro de Prevenção e Vigilância da Encefalopatia Espongiforme Bovina (EEB), os pilares do Programa Nacional de Prevenção e Vigilância da Encefalopatia Espongiforme Bovina (PNEEB) são:

A) Controle de importação, Controle de exportação, Necropsia compulsória, Controle de riscos.
B) Vigilância da EEB, Controle de exportação, Controle e avaliação.
C) Controle de importação, Vigilância da EEB, Medidas de mitigação de riscos, Controle e avaliação.
D) Controle de importação, Necropsia compulsória, Controle de exportação, Controle e avaliação.
E) Medidas de mitigação de riscos, Controle de exportação, Controle e avaliação, Necropsia compulsória.

2 – (BIO-RIO – 2015 – IF-RJ – Médico veterinário)

A principal medida para o controle da Encefalopatia Espongiforme Bovina é:

A) vacinação compulsória do rebanho bovino.
B) teste para identificação precoce e descarte dos animais infectados.
C) quarentena de indivíduos suspeitos.
D) controle de trânsito de reprodutores.
E) proibição do uso de proteína animal na alimentação de ruminantes.

3 – (FEPESE – 2017 – CIDASC – Médico Veterinário)

A Encefalopatia Espongiforme Bovina (EEB), conhecida como doença da vaca louca, é uma enfermidade degenerativa fatal e transmissível do sistema nervoso central de bovinos.

Assinale a alternativa correta em relação à EBB.

A) Possui um período médio de incubação de 5 meses.
B) O agente causador é um RNA-vírus, do gênero Lyssavirus.
C) Aves e suínos são naturalmente susceptíveis à doença da vaca louca.
D) A sintomatologia pode confirmar a existência da doença.
E) Uma das ações importantes para prevenção da Encefalopatia Espongiforme Bovina é o controle de produtos utilizados na alimentação animal.

4 – (CONSULPLAN – 2014 – MAPA – Veterinário)

A encefalopatia espongiforme bovina (EEB) foi identificada pela primeira vez na Grã-Bretanha, em 1986, porém, dados epidemiológicos e revisões de preparados histológicos mostram a possível ocorrência no ano de 1985 ou, ainda, que alguns casos possam ter ocorrido ainda na década de 70. Sobre a encefalopatia espongiforme bovina, é correto afirmar que:

A) o tempo de incubação é menor do que 2 anos.
B) pela perda nervosa provocada pela doença, há uma insensibilidade do animal frente ao toque, ao som e à luz.
C) entre os sinais clínicos, estão a diminuição de peso e da produção de leite, apesar da manutenção do apetite do animal.
D) após o aparecimento dos sinais clínicos, a doença pode evoluir para um quadro crônico num período compreendido entre 9 e 12 meses.

GABARITO

1 – C;
2 – E;
3 – E;
4 – C.

Concurso Veterinário - Combo Preparatório

Autoria da redatora do Ifope:
Tereza Abujamra