O cultivo orgânico de alimentos está crescendo cada dia mais, contribuindo para melhoria não apenas a renda familiar de quem produz, mas também, na qualidade de vida de quem trabalha na produção e na saúde de quem consome os alimentos. 

O cultivo orgânico de alimentos está crescendo cada dia mais, contribuindo para melhoria não apenas a renda familiar de quem produz, mas também, na qualidade de vida de quem trabalha na produção e na saúde de quem consome os alimentos. 

Mas você sabe diferenciar um produto orgânico do convencional? Sabe quais são as exigências para que um alimento seja considerado orgânico? Venha conferir neste texto tudo que precisa saber sobre o assunto.

Surgimento da agricultura orgânica

O cultivo de alimentos orgânicos surgiu há muitas décadas, por volta de 1925 e 1930, ressaltando a importância da matéria orgânica para os processos produtivos e mostrando que o solo também deve ser entendido como um organismo vivo.

Foi apenas na década de 70, nos países Europeus, que os primeiros produtos foram comercializados com a denominação de orgânicos. Nessa mesma época, aqui no Brasil, o cultivo orgânico era relacionado diretamente com os movimentos filosóficos, que buscavam da terra o retorno como uma alternativa de vida.

Já na década de 80 e 90, o cultivo e a comercialização desses alimentos orgânicos aumentou, devido à maior conscientização da preservação do meio ambiente. No início dos anos 2000 o mercado de orgânicos cresceu significativamente, aumentando a cada dia o número de consumidores. 

Atualmente, com a maior preocupação em relação ao meio ambiente e a saúde humana, pode-se afirmar que o cultivo orgânico tem muito o que crescer e expandir. 

O que é cultivo orgânico ou agricultura orgânica?

O cultivo orgânico de alimentos é entendido como a forma de produção que não faz uso de produtos químicos, como adubos, defensivos, promotores de crescimento, entre outros. 

Essa técnica busca, primeiramente, manter ou aumentar os níveis de matéria orgânica do solo, para então prosseguir com o plantio. Isso porque, teores maiores de matéria orgânica estimulam o crescimento de microrganismos benéficos, que mantêm a fertilidade e a integridade do solo, permitindo um cultivo de alimentos mais saudável. 

O que define um alimento orgânico?

Para ser considerado orgânico, os alimentos devem ser cultivados em ambiente que considere a sustentabilidade ambiental, econômica e social, além de valorizar o produtor rural. 

De acordo com a Lei nº 10.831 de 23 de dezembro de 2003, que dispõe sobre a agricultura orgânica e dá outras providências, considera-se um produto orgânico seja ele in natura ou processado, aquele que é obtido em sistema orgânico de produção agropecuário ou oriundo de processo extrativista sustentável e não prejudicial ao ecossistema local.

Ainda de acordo com a legislação:

um sistema orgânico é caracterizado como sendo todo aquele em que adotam técnicas específicas, mediante a otimização do uso dos recursos naturais e socioeconômicos disponíveis e o respeito à integridade cultural das comunidades rurais, tendo por objetivo a sustentabilidade econômica e ecológica, a maximização dos benefícios sociais, a minimização da dependência de energia não-renovável, empregando, sempre que possível, métodos culturais, biológicos e mecânicos, em contraposição ao uso de materiais sintéticos, a eliminação do uso de organismos geneticamente modificados e radiações ionizantes, em qualquer fase do processo de produção, processamento, armazenamento, distribuição e comercialização, e a proteção do meio ambiente”. 

Como já foi comentado, a agricultura orgânica não utiliza produtos químicos. Portanto, o cultivo orgânico busca o equilíbrio do ecossistema, para tornar as plantas mais resistentes ao ataque de pragas e doenças.

A atividade de produção orgânica se baseia em normas técnicas bastante rigorosas para preservar a integridade e qualidade dos alimentos. No campo empregam-se princípios e técnicas naturais, como a utilização de adubação verde e de biofertilizantes, além de métodos alternativos para a proteção contra o ataque de possíveis pragas e doenças. 

Diferença entre cultivo orgânico e cultivo convencional

A principal diferença entre o cultivo convencional e o cultivo orgânico é a utilização de fertilizantes, agrotóxicos e outros produtos químico para a otimização do processo de produção.

Além da utilização de agrotóxicos, outra diferença entre os cultivos é a prática da monocultura na agricultura convencional, em que o produtor realiza o plantio de uma única espécie, o que prejudica a recuperação e a manutenção do solo. 

O cultivo convencional é o mais utilizado mundialmente e em questão de adubação, antes do plantio é necessário realizar a análise química do solo para identificar os nutrientes faltantes. A adubação pode ser realizada com compostos de qualquer origem, sendo que a adubação mineral com N-P-K (nitrogênio, fósforo e potássio) é a mais utilizada. Quanto ao controle de pragas e doenças, pode-se utilizar defensivos químicos, biológicos ou orgânicos. 

Já o cultivo orgânico, é realizado de acordo com as normas e princípios da agroecologia. A adubação e proteção do solo são feitas através do uso de matéria orgânica, como restos de vegetais e esterco animal. O controle de pragas e doenças é realizado com métodos alternativos ou biológicos, como caldas caseiras e óleos de origem vegetal.

 Vantagens da agricultura orgânica

  • Melhora a renda familiar e a qualidade de vida da população;
  • evita a exposição e o contato com produtos químicos;
  • produz alimentos mais saudáveis; 
  • utiliza adubação orgânica;
  • diminui os impactos ambientais;
  • prioriza a saúde do produtor e do consumidor;
  • promove a manutenção da biodiversidade;
  • realiza a rotação de culturas;
  • utiliza energia renovável.

Por outro lado, como qualquer outra atividade, também apresenta algumas desvantagens:

  • menor produção, quando comparado ao cultivo convencional;
  • mais demorado;
  • demanda mais mão-de-obra;
  • alimentos mais caros. 

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Cultivo orgânico em Concursos Agrônomos

Agora que você já sabe o que é um cultivo orgânico, vamos fixar nosso conteúdo respondendo algumas questões de concurso público.

1.FURB – 2019 (Prefeitura Municipal de Timbó – SC)

Pela legislação brasileira, considera-se produto orgânico, seja ele in natura ou processado, aquele que é obtido em um sistema orgânico de produção agropecuária ou oriundo de processo extrativista sustentável e não prejudicial ao ecossistema local. Isso posto, analise as afirmativas abaixo e identifique a(s) correta(s): 

I- Agricultura orgânica contempla a produção de alimentos e outros produtos que não fazem uso de resíduos agroquímicos prejudiciais à saúde humana e animal e não utilizam agrotóxicos, transgênicos ou produtos químicos sintéticos.

II- Todo alimento produzido sem agrotóxico pode ser considerado orgânico.

III- Técnicas de preservação e o uso responsável do solo, da água e do ar, de modo a reduzir as formas de contaminação e desperdício dos recursos naturais, fazem parte das práticas orgânicas. 

Assinale a alternativa correta:

(A) Apenas as afirmativas I e III estão corretas.
(B) Apenas a afirmativa II está correta. 
(C) Apenas a afirmativa III está correta. 
(D) As afirmativas I, II e III estão corretas. 
(E) Apenas as afirmativas I e II estão corretas.

2. CRESCER – 2018 (Prefeitura de Agricolândia-PI)

A agricultura orgânica está baseada na produção de alimentos e seus derivados……………………….. . 

Marque a alternativa que melhor completa esta afirmação. 

A) sem acidulantes 
B) sem agroquímicos
C) sem conservantes 
D) sem hormônios

3. FJPF – 2007 (MAPA)

A Lei nº 10.831, de 23 de Dezembro de 2003, no Art. 1º, estabelece as finalidades de determinado sistema de produção:

  • ofertar produtos saudáveis isentos de contaminantes intencionais;
  • preservar a diversidade biológica dos ecossistemas naturais e a recomposição ou incremento da diversidade biológica dos ecossistemas modificados em que se insere o sistema de produção;
  • incrementar a atividade biológica do solo; promover um uso saudável do solo, da água e do ar;
  • reduzir ao mínimo todas as formas de contaminação desses elementos que possam resultar das práticas agrícolas;
  • manter ou incrementar a fertilidade do solo a longo prazo;
  • reciclar resíduos de origem orgânica, reduzindo ao mínimo o emprego de recursos não-renováveis;
  • basear-se em recursos renováveis e em sistemas agrícolas organizados localmente;
  • incentivar a integração entre os diferentes segmentos da cadeia produtiva e de consumo de produtos orgânicos e a regionalização da produção e comércio desses produtos;
  • manipular os produtos agrícolas com base no uso de métodos de elaboração cuidadosos, com o propósito de manter a integridade orgânica e as qualidades vitais do produto em todas as etapas.

Dentro desta linha de trabalho, esta lei trata do sistema de produção: 

A) em plantio direto; 
B) integrado; 
C) agrícola; 
D) ecológico; 
E) orgânico.

GABARITO

  1. A
  2. B
  3. E