Certamente você já ouviu falar sobre o fenômeno, mas não sabe como e por qual motivo ele se forma, certo? Adiante explicaremos quais são seus riscos e impactos nas plantações agrícolas e espaço urbano, além dos principais métodos de combate e prevenção dessa praga que tanto preocupa agricultores.

O que é? 

Uma das piores e mais recorrentes pragas da agricultura brasileira são os gafanhotos, que podem causar sérios danos em grandes áreas de plantação. Embora costumem ser solitários, algumas espécies de gafanhotos apresentam comportamento gregário, ou seja, se locomovem em bandos, e podem se agrupar em quantidades incomuns — até mesmo centenas de milhões de indivíduos —, formando o que chamamos de nuvem de gafanhotos.

Quais são os prejuízos da nuvem de gafanhotos?

Gafanhotos são criaturas herbívoras que podem comer o equivalente ao seu próprio peso em um único dia quando atingem a fase adulta. Podem também alimentar-se de móveis e roupas na falta de alimentação adequada.

Seu ciclo de vida pode durar de meses a um ano, apresentando vários estágios antes da fase adulta. Os gafanhotos podem ainda apresentar comportamento gregário em qualquer um desses estágios, se as condições ambientais forem favoráveis.

Como e por que ela se forma?

Embora não se saiba ao certo como se forma a nuvem de gafanhotos, pois suas causas ainda não estão bem definidas, especialistas sugerem que o fenômeno está ligado, principalmente, às mudanças climáticas, práticas de monocultura e atividade humana.

Temperaturas elevadas, baixos índices pluviométricos, circulação dos ventos e outras condições ambientais favoráveis à reprodução dos gafanhotos podem facilitar seu surgimento, visto que são considerados uma praga migratória, podendo viajar km de distância diariamente em busca de alimento.

Monoculturas também podem facilitar o surgimento da nuvem de gafanhotos. Grandes plantações de milho, soja e outros vegetais, além de não apresentarem nenhum tipo de “barreira” que impeça a chegada desses insetos, fornecem uma vasta área de alimento para eles.

O aumento da população de gafanhotos pode ainda estar associado a desequilíbrios ambientais, que podem favorecer a queda no número de predadores naturais desses insetos, contribuindo para o surgimento do fenômeno.

Gafanhotos fazem mal a seres humanos?

Embora possam devastar plantações agrícolas inteiras e gerar grandes prejuízos econômicos, os gafanhotos não fazem mal a seres humanos e possuem um importante papel no ecossistema e na cadeia alimentar locais, pois servem de alimento para anfíbios, répteis e outros animais.

Se alimentam de folhas, cereais, capins e outras gramíneas e não são considerados vetores de doenças. Problemas maiores surgem quando a praga torna-se urbana, invadindo vilas e cidades.

Há, porém, os riscos que envolvem o uso de agrotóxicos no combate aos gafanhotos, que deve ser apontado pelas autoridades, de modo a evitar quantidades prejudiciais ao consumo humano.

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Riscos e impactos da nuvem de gafanhotos nas plantações

Como soubemos anteriormente, altas temperaturas e clima seco são favoráveis à mobilidade e dispersão da nuvem de gafanhotos para diferentes regiões, inclusive brasileiras. Logo, a crise hídrica enfrentada pelo Brasil tende a favorecer a formação de novas nuvens, trazendo grandes riscos à agricultura brasileira.

De acordo com uma matéria feita pelo G1 em julho de 2020, a nuvem de gafanhotos mais recente se formou no Paraguai, onde devastou grandes lavouras de milho. Não se sabe ao certo em qual cidade isso ocorreu, já que o fenômeno é espontâneo e impossível de ser monitorado antes que se forme.

Sabe-se, no entanto, que os insetos, da espécie Schistocerca cancellata, adentraram à Argentina pela fronteira com o Paraguai, atingindo principalmente plantações de cana-de-açúcar e mandioca. A partir daí, segundo especialistas, migrariam em direção ao Brasil e Uruguai.

Felizmente a nuvem de gafanhotos apenas ameaçou adentrar o território brasileiro no ano de 2020. Acredita-se que uma frente fria e a chuva presente na região Sul do país, que faz fronteira com países da região endêmica, tenha afastado esses insetos do nosso território.

O melhor combate ao fenômeno é a prevenção. Os gafanhotos têm picos populacionais cíclicos, não constantes, que podem ser favorecidos por certas condições climáticas.

Formas de combate, controle e prevenção

Quando em revoada, os gafanhotos podem viajar vários km de distância em um único dia, o que dificulta o controle do fenômeno. Sua grande capacidade de voo facilita, e muito, a locomoção da nuvem. Logo, seu combate é mais eficaz quando estão pousados.

Controle biológico x controle químico

Melhores práticas agrícolas, como forma de controle biológico,  podem auxiliar na redução do fenômeno, equilibrando a biodiversidade e favorecendo predadores naturais dos gafanhotos.

O controle químico, por sua vez, consiste na pulverização de inseticidas, do ar ou diretamente no solo das plantações agrícolas. No entanto, essa medida fitossanitária pode não ser tão efetiva, devido à grande quantidade desses insetos e às altas velocidades nas quais eles se locomovem. Além disso, o uso dessas substâncias deve ser feito de forma controlada, de modo a evitar danos à saúde da população e de outros insetos e plantas, como, por exemplo, as abelhas.

Monitoramento

O monitoramento deve ser constante e contínuo, da detecção de pequenas populações desses insetos à formação de grandes bandos, de modo a compartilhar quaisquer informações com ouros países e, assim, evitar que se tornem um problema.

Ricardo Felicetti, chefe da Divisão de Defesa Sanitária Vegetal da Secretaria da Agricultura do RS, disse, em uma entrevista cedida ao Globo Rural em junho de 2021, que há uma rede de monitoramentos locais e informações colhidas por ela, sob coordenação do MAPA (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento).

Embora o Brasil não seja uma região endêmica, ou seja, apresente uma certa segurança com relação ao fenômeno no momento, a possibilidade de um impacto secundário deve ser considerada. Impacto esse de possíveis ataques a países que fazem parte da região endêmica (Argentina, Bolívia e Paraguai, por exemplo), o qual pode ser favorecido pela seca. Atualmente não há risco direto, no curto prazo, para o Brasil, e os monitoramentos não indicam nenhuma formação.

Gostou do tema? Que tal praticarmos?

(ABCP – 2020 – Prefeitura de Bom Jesus dos Perdões – SP – Almoxarifado) Em 2020 o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento emitiu um alerta sobre uma nuvem de gafanhotos que estava deixando a Argentina e avançava na direção do Uruguai e Brasil. Sobre este fenômeno é correto dizer:

a) Para o gafanhoto, o objetivo da revoada é ocupar novos habitats e se reproduzir.
b) A formação da nuvem tem início na busca do inseto por comida e por ambientes mais úmidos e frios.
c) Uma das recomendações do manual elaborado pelo Ministério da Agricultura para a prevenção é verificar se existem ovos de gafanhoto em água suja e parada.
d) Devemos tomar cuidado, pois alguns gafanhotos podem ser venenosos.

Gabarito: a)