Com o aumento da produção agrícola, o Brasil vem ganhando cada vez mais importância no cenário mundial, devido ao grande número de exportações. E para acompanhar essa crescente, tem-se apostado em pontos como o aumento da produtividade das lavouras e até a expansão das áreas de cultivo.

Porém, como atualmente há a necessidade de trazer a sustentabilidade para agricultura, a expansão das áreas de cultivo tem sido questionada e muitas vezes não é possível de ser realizada. Já no caso do aumento de produtividade, para que isso ocorra de fato, há necessidade de saber o que o solo pode oferecer e quais são suas principais deficiências. Ou seja: é fundamental saber qual é a fertilidade e o estado nutricional do solo. 

É aí então que entra a análise do solo – uma vez que esse é o meio utilizado para avaliar essas características com maior exatidão.

Quando bem executada a análise do solo possibilita tomadas de decisão mais assertivas quanto às técnicas de manejo do solo e melhora os resultados do plantio como um todo.

Neste artigo, veja qual é a definição, quais os tipos , as vantagens e qual deve ser a frequência ideal para a realização da análise do solo.

Mas afinal, como é definida a análise do solo?

A análise do solo é um conjunto de diversos processos químicos que determinam a disponibilidade e a existência de nutrientes em um espaço. Dessa forma, também pode-se avaliar as propriedades químicas, físicas e biológicas do solo fundamentais para a nutrição das plantas.

Nessa frente, como não é possível o atingimento preciso das características do solo somente através da observação visual, a análise de solo tem o intuito de prover os dados para determinar e prevenir possíveis problemas nutricionais que podem ajudar na propagação de pragas e doenças nas plantas.

Inclusive, há um princípio na agricultura conhecido como Lei de Liebig, também conhecida como Lei do Mínimo, no qual se estabelece que o desenvolvimento de uma planta fica limitado quando há nutrientes faltosos ou deficitários, mesmo que todos os outros elementos ou fatores estejam presentes. A Lei de Liebig foi criada no século XX, por meio dos avanços científicos produzidos por Carl Sprengel, no início do século XIX e após isso foi popularizada por Justus von Liebig em seu livro Aplicações da química orgânica na agricultura e fisiologia, de 1840.

Desse modo, a análise de solo é o único método que permite, antes do plantio, identificar a capacidade que o solo tem de prover os nutrientes que são necessários para as plantas. É também a maneira mais simplificada, econômica e eficiente de saber sobre a fertilidade da terra, além de se ter base para recomendar as quantidades necessárias de corretivos e fertilizantes com a finalidade de intensificar a produtividade das culturas e, consequentemente, obter o melhor retorno sobre os investimentos e o aumento do lucro.

Realizar a análise de solo permite ainda acompanhar as mudanças de sua fertilidade e pode auxiliar no aumento da lucratividade da exploração agrícola ou florestal, pois oferece a possibilidade de aumento da produção e da resistência da planta, diminuindo gastos com agrotóxicos (inseticidas, herbicidas e fungicidas) e, por consequência, promovendo uma melhor qualidade de vida e menor impacto ambiental.

Existem diversas análises que podem ser feitas no solo, desde as mais básicas até as mais completas.

Para determinar qual a melhor análise para você, vamos entendê-las:

Tipos de análise de solo: qual escolher?

Análise química completa

A análise química completa é o tipo de verificação que é feita quando é necessário que sejam avaliados todos os macronutrientes e os micronutrientes do solo. Ou seja, o dimensionamento é em cima de todo nutriente que a planta necessita em grande quantidade (macronutrientes) e também os que são necessários em doses menores (micronutrientes).

Esse tipo de análise é muito eficaz quando não há nenhuma informação sobre a propriedade, para novas áreas ou mudança brusca de sistema produtivo. Outra indicação é nos casos em que ocorreu algum problema nutricional na safra anterior e ele não ficou claro.

A análise completa também é bastante indicada quando existe perda de produtividade e deficiência de apenas uma parte da lavoura e não se tem certeza de qual foi o motivo – se houve realmente uma redução de nutrientes. Nesse caso, o melhor jeito de chegar a uma conclusão é fazendo uma análise química completa do solo.

Análise química básica

Caso você já possua as informações da área, uma análise química básica de rotina é o suficiente e necessita ser feita pelo menos uma vez ao ano. Assim você saberá como está a integridade frente ao manejo do solo, já que tanto o plantio direto ou convencional, com ou sem rotação, adubação verde, diferentes culturas, entre outros, influenciam na disponibilidade de nutrientes no solo.

Dessa forma você pode ir manejando o plantio de forma mais consciente e sem desperdícios com fertilizantes.

Análise física

Outro tipo de verificação é a análise física, em que você tem entendimento sobre qual a porcentagem de argila silte e areia de cada parte da área analisada. Isso é extremamente importante não só no manejo de nutrientes, mas como no uso de defensivos. Herbicidas pré-emergentes, por exemplo, são recomendados em maiores doses em áreas mais argilosas, buscando a máxima eficiência do produto.

Como fazer uma análise de solo

Amostragem do solo

O principal instrumento para retirar as amostras é o trado (instrumento em espiral). Existem diversos tipos de trados, cada um destinado a um tipo de solo, entretanto, o modelo holandês é o mais utilizado no Brasil e adequado a todos os tipos de solo, apesar de exigir grande esforço físico.

Deve-se realizar a coleta das amostras em áreas aleatórias, porém, é interessante evitar linhas de plantio, sulcos de erosão, áreas próximas a matas e estradas, pois haverá comprometimento dos resultados da análise.

Quando coletar as amostras?

A amostragem precisa ser feita antes do início do revolvimento do solo, pois assim será obtida a real disponibilidade de nutrientes das diferentes camadas.

Dessa forma, ela pode ser feita em qualquer época do ano, tanto nas estações chuvosas quanto nas de seca, de preferência com antecedência suficiente para obter a recomendação das quantidades de corretivo e fertilizantes e transportá-los até a propriedade estudada.

Lembrando que, em pastagem, não é preciso coletar amostra de solo anualmente como é realizado na agricultura, mas caso o uso da pastagem seja intensivo e com alta taxa de rotação, aí sim é interessante que seja realizada uma análise anual.

Divisão da área em glebas

No intuito que o diagnóstico das condições de solo da área seja preciso, é fundamental dividir as área total em glebas.

De acordo com o Manual de Fertilidade do Solo (Coamo/Codetec), as áreas precisam de ter até 20 hectares e devem ser consideradas as condições de topografia, cor, vegetação natural e a realização de preparos anteriores que possam ter influenciado as características do solo.

Interpretação da análise

Depois de feita a realização da análise laboratorial, cabe ao profissional capacitado interpretá-la para tomar decisões assertivas a respeito da adubação e calagem.

Os principais pontos analisados são:

  1. tamanho de partículas (argila, silte e areia);
  2. saturação por alumínio (m%);
  3. saturação por bases (V%);
  4. CTC ou T;
  5. acidez do solo (pH);
  6. teores nutricionais (matéria orgânica, cálcio, magnésio, potássio, fósforo e alumínio);
  7. relação Cálcio/Magnésio.

Cada região tem suas publicações específicas para a metodologia e interpretação das análises de solo.

No Brasil, a Sociedade Brasileira de Ciência do Solo é um dos principais canais para obter informações a respeito.

Quem é o profissional responsável pela análise do solo?

Para fazer uma boa análise é preciso contar com o apoio de um técnico agrícola ou engenheiro agrônomo. Outros profissionais, como médicos veterinários e zootecnistas, também podem contribuir nesse processo por conhecerem bem as fazendas em que dão assistência, além dos extensionistas que também trazem boas orientações. 

Quais os benefícios da análise?

Os principais benefícios que a amostragem e análise de solo podem proporcionar incluem: aumento da produtividade por meio da identificação de nutrientes ou fatores químicos do solo que estão limitando o crescimento das plantas; aumento da eficiência do uso de fertilizantes e recomendação de taxas de fertilizantes adequadas para os diferentes solos e culturas.

Ao permitir uma adubação eficiente e racional, essa prática pode ajudar a proteger o meio ambiente, pois reduz a aplicação em excesso de fertilizantes, além de identificar solos contaminados. 

Futuro da amostragem de solo

Atualmente estão surgindo no mercado equipamentos para realizar a medição dos atributos do solo em tempo real e já no campo. Há aparelhos de raio-x, lasers e scanners que já conseguem medir teores de nutrientes nas amostras de maneira mais rápida.

No Brasil, temos empresas que realizam análises de solos por infravermelho próximo (NIR) e os resultados são gerados através de um gigantesco banco de dados. Dessa forma, os resultados são obtidos rapidamente e com maior segurança.

Você tem dificuldade com a interpretação de análise de solo? De quanto em quanto tempo você refaz a análise? Deixe seu comentário!


O Futuro da agricultura depende dos cuidados com o solo, dessa forma, a análise se torna cada vez mais imprescindível.

O assunto também é recorrente em diversas provas de concursos públicos, pois além de ser uma das bases ecológicas do manejo integrado de pragas e doenças, ele também se relaciona com todas as áreas da agricultura. 

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