O mercado de alimentos na atualidade tem se mostrado cada vez mais competitivo. Com isso, é crescente a procura pela melhoria da qualidade dos produtos. Porém, a demanda vai além dos produtos e percebe-se a necessidade de um melhor gerenciamento dos seus funcionários e colaboradores. Para a linguagem da gestão de pessoas os recursos humanos são um capital tão valioso que são chamados de “capital humano”.

Há empresas que estão, inclusive, adotando uma cultura de maior reconhecimento desse capital. Por meio da utilização de conceitos de gestão de pessoas, tem-se aumentado a presença dos altos níveis hierárquicos no chão de fábrica, com a finalidade de valorizar funcionários e colaboradores.

Os profissionais que trabalham com qualidade e com as questões técnicas, como engenheiros e tecnólogos de alimentos, veterinários e nutricionistas, no entanto, não costumam dar muita importância para essa questão. Por terem uma formação extremamente técnica e diversas demandas, seja da direção da indústria ou dos órgãos fiscalizadores, esta displicência é até compreensível.

O que não se pode ignorar, entretanto, é que a gestão de pessoas é uma ferramenta de trabalho extremamente útil. A utilização de determinadas técnicas podem auxiliar esses profissionais nos seus trabalhos cotidianos e fazer com que sua atividade seja vista e valorizada. Por outro lado, ao se ignorar a relevância desse assunto, muitos prejuízos podem ocorrer.

  • Alguma vez durante o trabalho você já se deparou com má vontade, cara feia e até com falta de respeito?
  • Já pediu que algo fosse feito e simplesmente nada foi executado?
  • Ou então já levou alguma não conformidade por algo que você já tinha feito treinamento a respeito?

Se a resposta for “sim” em qualquer caso é possível que isso tenha ocorrido por falta de conceitos de gestão de pessoas.

Trabalhadores insatisfeitos, isso em qualquer segmento, podem desrespeitar regras, gerar problemas ou até comprometer o nome da indústria. Casos, relativamente recentes, de erros durante o processo de CIP (clean in place) em indústrias de alimentos mostram o quanto isso pode comprometer uma marca de respeito e o seu responsável.

Com isso, é urgente que os profissionais da área de alimentos se conscientizem sobre os aspectos relacionados ao corpo de funcionários da empresa e à gestão dessas pessoas. De preferência que esse cuidado se inicie desde a contratação de novos funcionários, passem pelos treinamentos, indo até as promoções.

Exemplos de como essa atuação pode ajudar estão disponíveis em livros sobre gestão de pessoas e até na internet e alguns exemplos estão descritos a seguir.

Admissão de novos funcionários

A participação do corpo técnico na contratação de novos funcionários deve ser considerada para que, em conjunto com o setor de recursos humanos (RH), sejam detectados aqueles candidatos mais aptos. Parece óbvia a escolha pelo mais apto, mas a visão de aptidão para o RH não é a mesma que a de um engenheiro de alimentos, por exemplo.

Essa ação sinérgica pode enriquecer o trabalho no futuro, por conciliar a admissão de uma pessoa que possua os mesmos valores da empresa e que também tenha hábitos condizentes com a rotina em uma indústria de alimentos.

Treinamentos

A preparação de um treinamento deve ser realizada com cuidado, pensando com a visão do colaborador. Primeiro, porque os funcionários da indústria, na maior parte das vezes, não possuem o mesmo nível de instrução que o responsável pelo controle de qualidade. E depois porque é o funcionário quem vai executar as atividades e entre a imposição de uma regra e sua execução podem existir muitas dificuldades.

Os treinamentos devem ter pouco texto, ter muitas fotos, imagens e conter exemplos. Além disso, se possível, deve-se propor atividades práticas ou que incentivem o debate. Esses artifícios aumentam o interesse dos colaboradores pelo tema abordado e também auxiliam na compreensão de conceitos e na conscientização do que é correto na indústria.

De acordo com Chiavenato, o treinamento é um dos processos básicos na gestão de pessoas. E a aplicação desses conceitos na instrução de colaboradores só traz benefícios à empresa.

Promoções

Um fator que pode ser um grande desmotivador dentro da indústria é a não valorização do funcionário. Um modo de mudar esse paradigma é por meio das promoções e mudanças de colaboradores para cargos melhores. Deve-se atentar, no entanto, que a ascensão dentro de uma empresa deve ser baseada em competências e mérito.

O ideal é que a indústria tenha um programa que o incentive a melhorar – um plano de carreira. Esse tipo de estratégia é interessante por motivar o colaborador a se aprimorar sempre e por identificar dentro da empresa funcionários com potencial para serem líderes ou serem muito bons em desempenhar determinadas funções.

Apesar de os profissionais da área técnica não serem os responsáveis por essas questões, são eles os que mais estão próximos dos colaboradores. Com isso, são os mais aptos a fazerem a identificação e sugestão de funcionários destaques. O processo de recompensa é um conceito da gestão de pessoas que deve ser amplamente utilizado, visando fidelizar colaboradores.

Assessoria

Com a modernização das relações dentro das empresas e o aumento da competitividade no mercado, muitas indústrias da área de alimentos têm buscado estratégias que melhorem seus índices e a qualidade dos seus produtos. A busca de assessorias ou até de um coaching têm se mostrado boas alternativas nesse sentido. Devido a falta de preparo da equipe de RH, a reestruturação do esquema de gestão de pessoas com ajuda especializada pode gerar resultados promissores.

O novo estilo de gestão da empresa deve gerar mudanças desde os níveis hierárquicos mais altos até o chão de fábrica. A modificação de comportamento visa gerar maior engajamento em todos os departamentos, de forma a melhorar a qualidade das relações no ambiente de trabalho e consequentemente, os resultados das equipes.

Benefícios da gestão de pessoas

A adoção da cultura da gestão de pessoas na indústria de alimentos é um tema atual e a conscientização sobre a sua importância deve ser vista como prioridade por profissionais e empresas que queiram se manter competitivos.

Primeiro, pela questão humanitária. Funcionários não são máquinas, e sim pessoas e essa premissa deve ser observada. Uma vez que o colaborador se sente compreendido e respeitado, ele trabalha melhor, e gera resultados de maior qualidade.

Em consequência disso, a rotatividade de colaboradores cai, elevando o nível de experiência dentro da planta e, com isso, reduzindo a probabilidade de ocorrerem erros e desvios. Além disso, diminuem-se custos com novos processos seletivos e perda de tempo dentro da indústria.

Para você, profissional da indústria de alimentos, seja auxiliar, gestor, líder, a gestão de equipes passa a ser um diferencial competitivo também. Pois, o conhecimento prático nessa área, aliado aos conhecimentos técnicos em alimentos, torna-o um profissional com habilidades para resolver todos os problemas citados acima, bem como gerar resultados ainda melhores.

Ser valorizado na indústria de alimentos é ponto chave para o crescimento profissional. E se você também pensa assim e tenho certeza que pensa, já que leu todo esse artigo, tenho certeza que já entendeu quais devem ser seus próximos passos no assunto “gestão de pessoas”.

Nossa intenção aqui foi dar uma pincelada neste assunto e despertar sua atenção para que seu dia a dia na indústria melhore. E para isso, entendemos que a especialização em alimentos é indispensável, desde que te ajude também na gestão de pessoas.

por Andréa Guicheney

Pós POA - o mercado não é para amadores

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